ZP06020204 - 02-02-2006
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Bispo pede ao Conselho de Segurança da ONU resposta ao drama norte-ugandense


Que já cobrou 200 mil vidas


NOVA YORK, quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006 (ZENIT.org).- Dom John Baptist Odama, arcebispo de Gulu, dirigiu-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas lançando um apelo à comunidade internacional para que intervenha a fim de acabar com a guerra que há duas décadas arrasa os distritos setentrionais de Uganda.

«Vim até aqui para trazer aos ouvidos das pessoas que podem fazer algo o pranto das crianças, o grito de suas mães e o de suas famílias... há quem qualifica esta guerra de esquecida; para muitos outros é o conflito menos conhecido do planeta», alertou na sede nova-iorquina.

Na terça-feira passada, a agência missionária «Misna» dava conta da intervenção do prelado ugandense no organismo: «Que deveria dizer ao povo do norte de Uganda quando regressar de Nova York? Que os membros do Conselho de Segurança continuarão permanecendo em silêncio enquanto as crianças são seqüestradas e assassinadas e homens e mulheres seguem sofrendo violentos ataques cada dia?», interrogou.

O prelado pediu à ONU que se ofereça como «mediadora» para facilitar o diálogo entre o governo e os rebeldes do «Exército de Resistência do Senhor» (LRA, em suas siglas em inglês) e para a consecução de um «cessar-fogo» eficaz e duradouro.

Da mesma forma, solicitou a criação de um «corredor» que permita às organizações humanitárias chegar até a população civil em condições de segurança.

O drama das crianças-soldado se inclui no açoite que padece a região, dado que são «envolvidas» à força na guerrilha (ou reduzidas à escravidão) no conflito que desde 1986 os ugandenses atravessam pela luta do «visionário» Joseph Kony e seus rebeldes do LRA contra o governo de Kampala.

O preço da guerra em Uganda inclui a tortura e o assassinato de incontáveis civis (estimam-se em 200 mil os mortos) e o deslocamento de um milhão de pessoas. Os menores seqüestrados pelo LRA e obrigados a lutar se elevam a 30 mil.

A agência missionária observa que as próprias forças governamentais foram acusadas de abusos cometidos contra os civis deslocados reunidos nos «povoados protegidos»: na realidade, agrupações de cabanas em estado ruinoso «vigiadas» esporadicamente por pequenos grupos de soldados.

Calcula-se que mil ugandenses morrem a cada semana nos campos, onde aumentou drasticamente também o índice de suicídios e o contágio da aids. Assim se desprende de um informe de agosto passado, publicado conjuntamente pelo governo, em colaboração com várias agências da ONU e organizações não-governamentais (ONG).

A Comissão Justiça e Paz da Conferência Episcopal, dirigida por Dom Odama, adverte de que 100% da população do distrito de Pader se vê obrigada a viver nos «povoados protegidos», uma situação que há tempos já se vive em Gulu e seus arredores.


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