KONIGSTEIN, domingo, 30 de abril de 2006 (ZENIT.org).- As tensões entre muçulmanos e cristãos aumentaram na Nigéria por causa da politização do islã e talvez da religião em geral, explica um representante católico no país.
«O islã chegou à Nigéria em torno ao ano 1000, e o cristianismo, pese a chegar mais tarde, coexistiu e manteve com ele uma relação muito natural e humana durante longo tempo», assinalou o padre Obiore Ike, vigário geral da diocese de Enugu, em sua recente visita a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
O sacerdote, cuja diocese pertence ao sul da Nigéria, acrescentou: «Contudo, nos últimos tempos vemos uma agressividade e violência cada vez maiores, uma crescente politização do islã e, talvez, da religião».
O padre Ike prosseguiu explicando: «A politização mais fundamental e crítica do islã ocorreu em 1985, quando o governo militar declarou a Nigéria Estado islâmico. Depois, um presidente muçulmano introduziu o país na Organização de Países Islâmicos. Evidentemente os cristãos protestaram, mas a Nigéria continuou sendo membro desta organização. A isso há que acrescentar que 12 Estados nigerianos decidiram introduzir a lei islâmica em seus territórios, contradizendo a Constituição federal, segundo a qual a Nigéria é um Estado secular em que nenhuma religião pode ser considerada religião estatal».
Citando o exemplo do Estado de Kaduna, «onde se impôs a lei islâmica ainda que 70% de sua população seja cristã», o vigário geral se perguntava: «Como é possível impor a lei islâmica a pessoas que não a querem, e inclusive impô-la passando por cima da Constituição nigeriana?».
ZP06050201 - 02-05-2006
Permalink: http://www.zenit.org/article-11084?l=portuguese
Na Nigéria, islã está se politizando
Segundo o vigário geral da diocese de Enugu
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