MAYNOOTH, quinta-feira, 27 de julho de 2006 (ZENIT.org).- A necessidade de um novo e elevado nível de compreensão entre a Igreja e o mundo dos meios de comunicação na Europa ressoou no encontro anual dos assessores de imprensa e porta-vozes das Conferências Episcopais do Velho Continente.
Desta vez a Conferência Episcopal da Irlanda foi a anfitriã da reunião, que aconteceu em Maynooth, de 20 a 23 de julho, sob a organização do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE, www.ccee.ch), que engloba os presidentes destes organismos eclesiais ¬–atualmente 34 na Europa–.
O presidente da Comissão de comunicações sociais da Conferência Episcopal Irlandesa, o bispo Joseph Duffy, convidou os participantes a aprofundar na relação entre a Igreja e os meios de comunicação.
«Talvez um ponto de partida poderá ser o de ver como chegar a um elevado nível de compreensão e tolerância entre a Igreja e o mundo da mídia», porque «nossa tarefa –disse– é a de criar um ambiente no qual as relações de trabalho entre Igreja e meios possam ser mais frutíferas e dar mais resposta a novos caminhos de verdade».
Escutaram o prelado 39 representantes de 24 países: Áustria, Alemanha, Bélgica, Belarus, República Tcheca, Escócia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Grécia, Hungria, Inglaterra e Gales, Irlanda, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Romênia, Rússia, Suécia e Suíça.
Também foi mencionado no encontro que a informação ligada à Igreja católica deve ser um forte instrumento ao serviço da paz neste momento crucial da história, de acordo com um comunicado do CCEE.
O presidente do episcopado irlandês –o arcebispo de Armagh, D. Seán Brady– lançou um convite aos assessores de imprensa e porta-vozes das Conferências Episcopais: «Que em vossas deliberações possais tratar das formas mais concretas para mobilizar a opinião pública em apoio da paz neste momento de grande ameaça».
Ocorre que «uma das razões pelas quais existe o CCEE é ajudar a superar os obstáculos que ameaçam o futuro da paz e progresso dos povos», recordou.
A presença do Islã na Europa foi um dos pontos da agenda do encontro, no qual se constatou que uma informação correta é decisiva para a convivência pacífica e a colaboração com os muçulmanos no continente.
«A atitude das pessoas a respeito do Islã se move, de fato, da fascinação ao medo», constatou monsenhor Peter Fleetwood, vice-secretário geral do CCEE.
Analisou-se a variada face deste credo na Europa, e a importância de buscar, com quantos queiram viver com normalidade sua fé –nem na linha do fundamentalismo nem na de um islã «secularizado»–, o encontro, a reciprocidade, a colaboração em valores comuns como a vida, a paz, a liberdade religiosa e a justiça.
O comunicador, liberdade de imprensa e respeito às religiões
Sobre liberdade de imprensa e respeito às religiões interveio o bispo auxiliar de Chur (Suíça) e presidente da Comissão episcopal européia para os meios de comunicação (CEEM, organismo vinculado ao CCEE), D. Peter Henrici, recordando que «a liberdade de imprensa é um “direito humano” social e político, não só um direito individual, como o são a liberdade de opinião e a liberdade religiosa».
Sua conseqüência no plano da ética é que «a liberdade de imprensa deve ser regulada, em primeiro lugar, segundo os princípios da ética social, que são o bem comum, o princípio de solidariedade e o princípio de subsidiariedade», esclareceu o prelado.
«Em segundo lugar –prosseguiu–, a liberdade de imprensa deve» situar-se em respeito aos «princípios da ética jornalística individual: a verdade, a probidade e o respeito das pessoas às quais se comunica e das pessoas e comunidades das quais se informa».
Mas «a aplicação destes princípios no âmbito religioso é particularmente delicada e torna difícil o trabalho do comunicador», reconheceu.
Ocorre que «a religião tende a definir a identidade não só pessoal, mas, sobretudo, a comunitária, e é ela mesma um bem comum que há que se proteger», constatou.
«Além disso, nos encontramos ante diversas “verdades” religiosas que concorrem entre si e também ao comunicador, que se adere a uma verdade religiosa», disse o bispo de Henrici.
É de onde pode surgir, em sua opinião, a dificuldade para compreender a religião dos demais e para informar objetivamente.
Por isso sublinhou que um comunicador que se ocupa da religião, por um lado deve aceitar plenamente sua pertença religiosa, e por outro saber ser objetivo, capaz de distinguir entre informação e comentário à informação.
Próximos programas
Os porta-vozes das Conferências episcopais têm intenção de favorecer um debate na opinião pública sobre a contribuição dos cristãos para fazer da Europa um espaço de paz, de reconciliação e de solidariedade capaz de ser protagonista da atual história do mundo.
A ocasião para esta iniciativa será a Terceira Assembléia Ecumênica Européia (www.eea3.org), que acontecerá em Sibiu (Romênia) em setembro de 2007 com a participação de 2.500 delegados de todos os país da Europa.
O próximo encontro dos assessores de imprensa e porta-vozes das Conferências Episcopais da Europa acontecerá na mesma cidade romena em 10 de setembro de 2007, ao término da Assembléia Ecumênica.
ZP06072704 - 27-07-2006
Permalink: http://www.zenit.org/article-12081?l=portuguese
Europa precisa da compreensão entre Igreja e meios de comunicação
Encontro dos assessores de imprensa e porta-vozes das Conferências Episcopais
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