ZP06091701 - 17-09-2006
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Ucrânia: documentada sistemática destruição à que a Igreja foi submetida


Volodymyr Serhijchuk publica «Liquidação da UGCC: 1939-1946», primeiro de uma série


KIEV, domingo, 17 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Não só memória histórica, mas uma advertência para as gerações presentes e futuras: é o que pretende a publicação, na Ucrânia, do primeiro volume da coleção de documentos históricos titulada «Liquidação da UGCC: 1934-1946» [UGCC: Igreja greco-católica ucraniana, em suas siglas em inglês, ndr].

A compilação de tais documentos esteve a cargo do doutor em História Volodymyr Serhijchuk, diretor do Centro de Estudos Ucranianos da Universidade Nacional Taras Shevchenko de Kiev.

O livro se apresentou durante o IV Fórum Mundial de Ucranianos, celebrado na capital do país de 18 a 20 de agosto.

Os documentos que se oferecem, a maioria dos quais irrompe no mundo acadêmico pela primeira vez, permitem conhecer a verdade da liquidação da União de Brest, segundo recolhe o secretariado de imprensa da cabeça da Igreja greco-católica da Ucrânia.

Em 1995, a Igreja greco-católica da Ucrânia celebrou o IV centenário de tal união, levada a cabo entre os bispos da Metrópole das Rus’ de Kiev e a Sé apostólica. Restabelecia-se assim a plena comunhão com a Santa Sé.

«A união se concertou no encontro dos representantes da Metrópole de Kiev com o Papa, que aconteceu em 23 de dezembro de 1595 e se proclamou solenemente em Brest-Litovsk sobre o rio Bug, em 16 de outubro de 1596. O Papa Clemente VIII [...] o anunciou à Igreja inteira e [...] se dirigiu aos bispos da Metrópole, comunicando-lhes a união alcançada», recordava há mais de uma década João Paulo II.

O recente volume oferece agora os dados sobre o caminho de supressão da União de Brest, uma perspectiva detalhada do processo da chamada «re-união» da Igreja greco-católica ucraniana com a Igreja ortodoxa russa através da criação «voluntária» de um grupo inicial formado por sacerdotes ameaçados pelo terror soviético após a detenção do metropolita Josyf Slipyj e todos os bispos.

Aponta Serhijchuk, na introdução desta coleção de documentos, a importância da publicação: «O paradoxo de hoje é que parte de nossa sociedade não quer perceber a amarga verdade do ontem de nossa nação, para não ter que abandonar estereótipos impostos pela ideologia comunista, estereótipos que chegaram a ser habituais e parte da vida cotidiana».

Considera que todos os que não querem crer na verdade sobre a Ucrânia se deixam influir mais pelos que estiveram implicados em crimes horríveis.

Se estes últimos já não vivem, «os que têm a responsabilidade de dizer a verdade, devem fazê-lo», adverte o historiador, assinalando os empregados do Arquivo Estatal do Serviço de Segurança da Ucrânia.

«Eles têm acesso aos documentos mais secretos do passado, à evidência do totalitarismo que revela a verdade à nossa nação e ao mundo inteiro, e a quem não crê quão brutais foram os crimes do sistema comunista», sublinha.

«Durante muitas décadas, o regime comunista tentou liquidar ou subjugar a Igreja greco-católica ucraniana, assim como outras Igrejas cristãs. Hoje, ao ter acesso aos documentos, ao menos aos documentos oficiais da União Soviética e de seus diferentes órgãos, aprendemos como e para que se organizou tudo aquilo. Em poucas palavras, descobrimos as raízes desse processo», reflete por sua parte o cardeal Lubomyr Husar, arcebispo maior de Kiev-Halic dos ucranianos.

É cabeça da Igreja greco-católica da Ucrânia, a qual pertence ao grupo de Igrejas de rito bizantino que reconhecem a autoridade espiritual e a jurisdição do bispo de Roma.

Em um comentário, através de seu secretariado de imprensa – sobre a publicação do livro, o purpurado aponta: «Todos sabiam que desde o início o comunismo tratou negativamente a religião», pois esta «recorda às pessoas sua dignidade humana e sua liberdade. Assim, era necessário destruir a religião e a Igreja. Isto se fez sistematicamente. É o que se deduz dos documentos».

«Por sua importância, estes documentos, como outros, devem ser tratados cuidadosa e reflexivamente, desde o ponto de vista de seu estudo, levando em consideração as circunstâncias, autores e resultados de tais documentos», afirma o purpurado.

«Contudo, este material é uma fonte importante de conhecimento do horrível programa, do qual foram vítimas milhões de pessoas», conclui.


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