ZP06110915 - 09-11-2006
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Assassinato de missionários em Moçambique foi tentativa de intimidar religiosos


«Não será por causa de um ato covarde e violento que nos iremos amedrontar», diz jesuíta


ANGÓNIA, quinta-feira, 9 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- O assassinato de dois missionários essa segunda-feira em Moçambique foi «um ato brutal de tentativa de intimidar e desestabilizar as Instituições Religiosas na Província de Tete», afirma o superior dos jesuítas no país africano.

Um grupo de homens armados assaltou a Missão de Fonte Boa (centro-norte de Moçambique) e matou o padre Waldyr dos Santos, de 69 anos, jesuíta brasileiro, e de Idalina Neto Gomes, de 30 anos, missionária portuguesa a serviço da Associação “Leigos para o Desenvolvimento” (uma ONG católica portuguesa).

Segundo o padre Carlos Giovanni Salomão, superior regional dos jesuítas, informou em um comunicado de imprensa, «a morte do P. Waldyr e de Idalina não foi de forma nenhuma um ajuste de contas, como se veiculou em certos meios de comunicação».

Mas foi uma tentativa de intimidar e desestabilizar «concretamente os trabalhos que a Companhia de Jesus, as Irmãs do Divino Pastor e os Leigos para o Desenvolvimento estão a desenvolver em prol do povo de Angónia, sobretudo no campo da Evangelização, da Educação, da Saúde e dos projetos sociais que visam o crescimento e o bem-estar deste povo tão sofrido».

Segundo o jesuíta, a Companhia de Jesus tem uma longa história de comunhão com o povo no planalto de Angónia, mesclado com momentos de muitas alegrias e também de muitas tristezas.

«Sempre procuramos conservar fidelidade e respeito pela cultura deste povo. E é justo afirmar que os cristãos sempre reconheceram e corresponderam em todos os momentos com as nossas intervenções», escreve.

Padre Carlos Salomão recorda que um bom número de jesuítas deu ali suas vidas pela causa do Evangelho. Lembra os nomes de P. Miguel Ferreira da Silva, SJ, que no cumprimento de suas tarefas, morreu tentando construir a Igreja para a população da Macanga.

«Os Pp. João de Deus e Silvio Moreira regaram com seu sangue a terra por amor e fidelidade ao povo que amavam. O P. Cirilo Moises Mateus, SJ que desgastou a vida pelo seu povo e agora, no dia 11 de novembro, completa 5 anos de falecimento.»

O superior jesuíta afirma ainda que nos momentos mais difíceis para o povo moçambicano, em que muitos tiveram que se exilar para o Malawi, por causa da guerra interna, a Companhia de Jesus foi com o seu povo para o exílio, viveu e deu toda a assistência que lhe foi possível nos campos de refugiados.

«Vibrou com o povo pela alegria de retornarem a casa, depois do acordo de Paz, assinado em Roma», em 1992. «E não poupamos esforços para reabilitar as escolas, os hospitais e até ajudar o governo a reabilitar o posto fronteiriço em Mtengombalene. Tudo feito em parceria com muitas instituições solidárias com o bem estar do povo moçambicano, especialmente com o Governo da República de Moçambique, com o UNHCR, Intermon, Misereor, Cafod, Cebemo, etc», escreve.

E o padre Salomão enfatiza que «não será por causa de um ato covarde e violento que nos iremos intimidar. Nossas vidas só têm sentido quando as damos aos demais».

O sacerdote apela a «todos para que colaboremos com o Governo da República de Moçambique no sentido de estancar estas ondas de violência que assolam o País».

Ele afirma que só na Província de Tete, os religiosos (Padres Combonianos, Irmãs Vicentinas, e Jesuítas) foram vítimas de 5 ataques neste ano de 2006.

«A pergunta que paira em nossos corações é o por quê da violência somente aos religiosos nesta Província?»

Segundo o jesuíta, «humanamente não há palavras que expliquem o sucedido. O P. Waldyr e a Idalina vieram só para servir e foram barbaramente assassinados quando sabemos que Moçambique precisa de obreiros como eles, cheios de generosidade».

«Acreditamos que o sangue deles, mais uma vez derramado naquela terra de Angónia, ajudará a produzir frutos espirituais que só Deus-Pai pode fazer aparecer pela sua imensa generosidade e misericórdia», escreve o sacerdote.


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