ZP06111304 - 13-11-2006
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Bispo no Sri Lanka alerta: Jaffna, esquecida pelo mundo, no bloqueio e no desespero


Dá-se por morto o Pe. Jim Brown, desaparecido na zona de controle militar


JAFFNA, segunda-feira, 13 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- O conflito bélico no Sri Lanka mantém a população civil da província setentrional de Jaffna em bloqueio absoluto. Esta já está submersa na mais profunda crise e carestia, denuncia o bispo local, Dom Thomas Savundaranayagam.

O combate dos «Tigres para a Libertação da Pátria Tamil» (LTTE) pela independência no norte e leste do país estourou em 1983. O resultado: a perda de 65 mil vidas, um milhão de desabrigados e um extenso dano a lares e infra-estruturas públicas, além do receio entre diferentes etnias e comunidades religiosas.

Jaffna se conta entre as zonas que sofrem a escalada do conflito, nos últimos meses, entre o exército regular e os LTTE, ainda que teoricamente rege uma trégua desde 2002, acordada após duas décadas de sangrento choque. Calcula-se que, desde agosto passado, esta espiral de violência já cobrou 3.000 vidas e 35.000 desabrigados.

O bispo da península, Dom Thomas Savundaranayagam, lançou um chamado a «Ajuda à Igreja que Sofre» (AIS) -- difundido na sexta-feira passada pela associação internacional -- descrevendo que sua população vive em uma «prisão aberta», privada de todo contato com o mundo exterior.

E confirmou que a comunidade católica está «profundamente deprimida e desalentada» pelo contínuo silêncio (Zenit, 23 de outubro de 2006) sobre a sorte do Pe. Brown, a quem considera já morto.

Foi em 20 de agosto passado a última vez que foram vistos, em uma zona completamente controlada pela Marinha militar do país, o Pe. Jim Brown de Thiruchelvam -- de 34 anos -- e seu acompanhante, Wenceslaus Vimalathas -- de 40 anos, pai de cinco filhos --, em Allapiddy, Kyats.

O desaparecimento foi denunciado em círculos internacionais. Apesar dos numerosos chamados por parte de líderes eclesiásticos e organizações a favor dos direitos humanos, as autoridades do país asiático não atuam a fim de dar com o paradeiro dos dois católicos.

O renovado conflito com os LTTE levou o governo a bloquear a província de Jaffna por terra, mar e ar. Deixou-se assim a população da península em crise pela extrema escassez de alimentos, a redução do fornecimento elétrico a somente nove horas diárias e o vertiginoso aumento do desemprego, descreve AIS.

Após a súplica que Dom Savundaranayagam dirigiu ao governo para que aliviasse o bloqueio, a Administração do presidente Mahinda Rajapakse enviou barcos com pacotes de arroz, açúcar e farinha.

Uma ajuda que, em declarações a AIS, o prelado qualifica de «inadequada»; de fato, manifesta sua indignação pela insistência do governo em cobrar da população a comida, ao invés de distribuí-la gratuitamente.

Daí que a Obra de Direito Pontifício tenha acordado fazer-lhe chegar uma ajuda de emergência de 20.000 euros, a fim de que a Igreja possa comprar comida para as pessoas que não possam pagá-la.

E o trabalho de reconstrução posterior ao «tsunami» igualmente se viu interrompido por causa do bloqueio, já que o governo impede o transporte de material de construção à península, acrescenta Dom Savundaranayagam.


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