CIDADE DO VATICANO, 10 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- Para o Pe. Federico Lombardi S.J., porta-voz da Santa Sé, uma das repercussões mais importantes desta viagem de Bento XVI à Áustria é a nova relação de proximidade que se estabeleceu entre esta Igreja local, que sofreu muito em anos precedentes, e o bispo de Roma.
Além da indiferença religiosa que se estende por toda a Europa, neste país a Igreja teve de responder a graves escândalos de alguns pastores. O resultado foi duro: a prática religiosa seguiu diminuindo. Este contexto foi aproveitado por grupos ideológicos que buscaram promover um movimento público de apostasia da fé católica, ainda que com poucos resultados.
Em setembro de 1995, o cardeal Hans Hermann Groer apresentou sua renúncia ao governo pastoral da arquidiocese de Viena por imputações de abuso sexual.
No verão de 2004, a diocese de Sankt Polten, por indicação de João Paulo II, fechou o seminário ao constatarem-se ambientes sumamente danosos para os estudantes.
Nos últimos anos, sob a guia do cardeal Christoph Schonborn, que é arcebispo de Viena e presidente da Conferência Episcopal, a tendência começou a alterar-se e a visita do Papa tinha por objetivo voltar a dar confiança aos católicos austríacos.
«Tanto o Papa como o cardeal Schonborn», com o qual havia estado conversando o diretor da Sala de Informação da Santa Sé, «estão muito contentes com esta viagem», assegura o Pe. Lombardi.
«Creio que a Igreja austríaca, que ama o Santo Padre, ficou muito contente – constata. Demonstrou a participação comprometida dos fiéis sobretudo no dia da visita ao santuário mariano de Mariazell, assim como na missa do domingo pela manhã na catedral de Santo Estevão, em Viena.»
O terrível clima no qual se desenvolveu a visita, reconhece o sacerdote, impediu que a participação popular fosse maior.
«Creio que o resultado foi uma mensagem de alento, de proximidade, por parte da Igreja austríaca», declara.
Quando Bento XVI viajava no avião rumo a Viena, em 7 de setembro, ao início da viagem, em uma conversa com os jornalistas havia revelado que um de seus objetivos fundamentais na Áustria era de contribuir para sanar as feridas.
«Antes de tudo, quero agradecer a todos os que sofreram nestes últimos anos – confessou o Santo Padre aos repórteres. Sei que a Igreja na Áustria viveu tempos difíceis: estou particularmente agradecido a todos, leigos, religiosos, sacerdotes, que permaneceram fiéis, em todas estas dificuldades, à Igreja, ao testemunho de Jesus, e que na Igreja dos pecadores reconheceram o rosto de Cristo.»
«Não creio que se tenham superado totalmente estas dificuldades», seguiu dizendo o Papa; «a fé vive sempre em contextos difíceis. Mas espero ajudar à cura destas feridas, e vejo que existe uma nova alegria da fé, há um novo impulso na Igreja, e quero, na medida do possível, confirmar esta disponibilidade para seguir com o Senhor, para ter confiança em que o Senhor permanecerá presente em sua Igreja e que, deste modo, vivendo a fé na Igreja, nós também poderemos chegar à meta de nossa vida e contribuir com um mundo melhor.»
ZP07091010 - 10-09-2007
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Igreja na Áustria está mais perto do Papa
Declarações do Pe. Federico Lombardi, porta-voz vaticano
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