ZP07091406 - 14-09-2007
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Tragédia de Darfur e liberdade religiosa, na audiência do Papa com presidente do Sudão


Celebrada em Castel Gandolfo


CASTEL GANDOLFO, sexta-feira, 16 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- Darfur, sinônimo da pior tragédia humana do planeta, foi protagonista da audiência que o Papa concedeu nesta manhã ao presidente do país africano, Omar Hassan Ahmed El-Bashir, em Castel Gandolfo.

Sucessivamente, El-Bashir foi recebido pelo arcebispo Dominique Mamberti, secretário para as relações com os Estados e até o ano passado núncio apostólico em Cartum.

Após o acordo de paz de 2005, o Sudão começou a sair de duas décadas de guerra civil motivada pela islamização formada do país. Morreram dois milhões de pessoas e muitas outras ficaram desabrigadas.

Há quatro anos, começou na região de Darfur a perseguição contra a população local africana, por parte de milícias armadas de origem árabe. O resultado: pelo menos 200 mil mortos e dois milhões de refugiados, cuja sobrevivência é um desafio diário.

No centro das conversas desta sexta-feira esteve a situação política e religiosa do país, com particular atenção aos Acordos de paz e à situação de Darfur, confirma uma nota difundida pela Sala de Imprensa vaticana.

A Santa Sé expressou às autoridades sudanesas seu vivo desejo pelo êxito das negociações de paz – convocadas em 27 de outubro na Líbia – sobre Darfur, a fim de que termine o sofrimento e a insegurança entre as populações dessa região, para que lhes seja assegurada a assistência humanitária à qual tem direito e para que se empreendam projetos de desenvolvimento.

O porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, afirmou o clima respeitoso do encontro, o grande empenho por parte do Sudão nessa reunião e a intenção da delegação sudanesa de demonstrar grande atenção e respeito pelo Vaticano.

Quinze pessoas formaram a delegação que acompanhou El-Bashir: os ministros de Exteriores e de Assuntos Religiosos, outros quatro titulares e parlamentares. Junto a eles, ao menos um representante cristão.

A defesa da vida e da família, o respeito e a promoção dos direitos humanos, como o fundamental da liberdade religiosa, foram também temas de interesse comum tratados na reunião de Castel Gandolfo.

A Santa Sé confirma que se falou da importância do diálogo inter-religioso e da colaboração entre todos os crentes de todas as religiões, em particular entre cristãos e muçulmanos, para a promoção da paz e do bem comum.

Neste contexto, sublinhou-se a positiva contribuição da Igreja Católica e de suas instituições na vida da sociedade sudanesa, especialmente no campo educativo.

O representante cristão presente na delegação sudanesa aproximou-se do Santo Padre, para que abençoasse alguns crucifixos e rosários que levará aos fiéis sudaneses.

Na troca de presentes, Bento XVI fez entrega das medalhas do pontificado e recebeu, das autoridades do Sudão, um quadro que reproduz uma pintura de São Miguel Arcanjo, recentemente encontrada em uma igreja do século X em Fáras, no norte do Sudão.


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