ZP07092305 - 23-09-2007
Permalink: http://www.zenit.org/article-16212?l=portuguese

Alerta desde a África: Europa deve deixar de apoiar políticos corruptos


Declarações do reitor do seminário católico nigeriano de Enugu


KONIGSTEIN/ENUGU, domingo, 23 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- O reitor do seminário católico de Enugu (sul da Nigéria), padre Ukoro Theophilus Igwe, pede que a Europa deixe de apoiar políticos corruptos na África.

Em uma conversa com a associação católica internacional «Ajuda à Igreja que Sofre» (AIS), o sacerdote alertou da profunda desilusão que causa aos africanos que os ditadores, que «roubaram de seus povos muito dinheiro saqueando seus países», recebam apoio dos países europeus.

Por isso – aponta um comunicado de AIS da sexta-feira – pediu à Europa que ajude a África «negando a estes políticos terem acesso a contas bancárias, obterem asilo político ou qualquer outro tipo de ajuda».

O reitor do seminário nigeriano também insistiu ao novo governo da Nigéria que centre seus esforços no bem-estar da população. O presidente – considera o sacerdote – deve fazer tudo o que for possível para que os jovens tenham um futuro, referindo-se, em primeiro lugar, ao sistema educativo.

O maior desejo do padre Igwee para a sociedade nigeriana é que todos os cidadãos tenham as mesmas oportunidades.

Tradicionalmente a cultura africana se baseia na democracia, e isto é algo que se deve recuperar, assinala: «A democracia não é algo alheio à África, mas devemos encontrar a forma de educar-nos para voltar a ela com argumentos, não com as armas e a violência».

Formação
No seminário nacional de Enugu estão-se formando atualmente 673 futuros sacerdotes. Ali se lhes afirma a necessidade de trasladar os conhecimentos teóricos à vida social, pois a mensagem do Evangelho «não é mera teoria», adverte o padre Igwe, que afirma que a Igreja compartilha «a vida real dos nigerianos».

Os seminaristas adquirem uma experiência prática nos povoados, aprendendo assim a proclamar o Evangelho de forma que as pessoas possam entendê-lo. Muitos habitantes dos povoados são analfabetos, pelo que é importante encontrar formas de proclamar o Evangelho que realmente cheguem a eles.

De acordo com o padre Igwe, os problemas que se apresentam, em muitos casos, são puramente práticos: por exemplo, a maioria dos fiéis carece de relógio, pelo que «não se pode dizer-lhes sem mais que a Missa começa às seis da tarde».

Um sacerdote deve ser paciente e saber comunicar-se com as pessoas. Às vezes surgem mal-entendidos, mas um futuro sacerdote deve estar preparado para isso. Assim, o padre Igwee considera vital que o seminário não seja um lugar «isolado do exterior» e que os seminaristas convivam com as pessoas.

Uma parte do plano de estudos do seminário também está dedicada à «Religião Comparada»; seu reitor é consciente da importância de que os futuros sacerdotes tenham mais conhecimentos do Islã e das religiões tradicionais africanas, pois na Nigéria devem conviver com muçulmanos e membros das religiões tribais.

Para o padre Igwe, a maioria dos conflitos religiosos do país está «manipulada pelos políticos». É necessário promover um entendimento recíproco, algo que costuma funcionar bem, explicou a AIS.

Os africanos de religiões tradicionais adquirem uma compreensão especialmente profunda do cristianismo e, sobretudo, da importância da Eucaristia. Entre eles se dão muitas conversões – confirma o sacerdote nigeriano.


© Innovative Media, Inc.

A reprodução dos serviços de Zenit requer a permissão expressa do editor.



envie a um amigo comente esta notícia
formato para impressão formato PDF
acima


zenit por email | zenit em rss | presenteie zenit | recomende zenit | apóie zenit

| condições de uso | enviar notícias e comunicados | fale conosco | página principal

© Innovative Media, Inc.