SALAMANCA, quinta-feira, 25 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Frente à beatificação no domingo de 498 mártires espanhóis do século XX, em Roma, o bispo de Salamanca recorda que não se trata de acusação alguma, mas de apresentar modelos de fidelidade para os crentes, e para a sociedade «um convite à reconciliação».
Desses quase 500 mártires, doze pertencem à diocese salmantina.
São milhares os que deram sua vida por amor a Jesus Cristo na Espanha durante a perseguição religiosa na década de 30; 479 já foram beatificados em várias cerimônias a partir de 1987; onze deles já foram canonizados.
Para a celebração de 28 de outubro, reuniram-se 498 causas de beatificação, tramitadas durante anos, de mártires que deram sua vida em diversos lugares da Espanha em 1934, 1936 e 1937.
«Os mártires estão acima das trágicas circunstâncias que os levaram à morte – aponta Dom López em uma carta difundida por sua diocese na quarta-feira. Ao longo do século XX, a Espanha e a Europa se viram arrastadas por ideologias totalitárias que foram causa de terríveis violências e fizeram novamente da Igreja uma Igreja de mártires.»
«Mas o testemunho dos mártires – acrescentou – foi mais forte que as insídias e violências dos perseguidores da religião.»
Em uma entrevista recentemente distribuída pela delegação de Meios de Comunicação de sua diocese, o prelado recorda que «os mártires não estavam em guerra com ninguém e morreram dando testemunho de amor e de perdão àqueles que lhes tiravam a vida pelo simples fato de serem católicos».
«Ao beatificar os mártires, a Igreja não pretende acusar ninguém – especifica –, mas apresentá-los aos crentes de hoje como modelos de fidelidade, e à sociedade espanhola atual como convite à reconciliação e à paz pelo amor e o perdão sem limites.»
Dom López sublinha que «a beatificação não responde a nenhuma circunstância atual». «Desde 1987 já foram beatificados 479 mártires em várias cerimônias – insiste; 11 destes beatos foram também canonizados.»
Declara, dessa forma, que «os processos dos 498 mártires que vão ser beatificados no dia 28 tiveram durante anos o longo desenvolvimento habitual nesses casos».
«Por sua própria natureza, a beatificação propicia a reconciliação e cura das feridas, mostrando que os mártires nunca as tiveram abertas em seu coração», afirma Dom López.
«A Igreja só cultiva a memória do amor e da paz», conclui.
ZP07102509 - 25-10-2007
Permalink: http://www.zenit.org/article-16544?l=portuguese
Bispo de Salamanca: «Os mártires não estavam em guerra com ninguém»
Dom Carlos López Hernández recorda que a beatificação propicia a reconciliação
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