ZP07111903 - 19-11-2007
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«Populorum Progressio» adiantou respostas ao desafio da globalização há 40 anos


O cardeal Martino analisa a atualidade da histórica encíclica de Paulo VI


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 19 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Quatro décadas após sua publicação, a encíclica de Paulo VI sobre a necessidade de promover o desenvolvimento dos povos («Populorum progressio») revela-se profética em suas respostas ao desafio atual da globalização, constata o presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz.

Esta semana, o organismo vaticano celebrará seu 40º aniversário remetendo-se ao histórico documento pontifício durante sua assembléia geral – terça e quarta – e dedicando-lhe o III Congresso mundial dos organismos eclesiais que trabalham pela justiça e a paz – encontro que Roma acolhe de quinta-feira a sábado.

É indubitável para o cardeal Renato Martino que a definição da encíclica sobre «o desenvolvimento» – «novo nome da paz» – é um indicador de sua atualidade.

«Paulo VI sabia que se não se sanassem os problemas do subdesenvolvimento econômico, social e político, a indignação dos pobres cresceria até provocar conflitos e terrorismo internacional», explica o purpurado em uma entrevista publicada em «L’Osservatore Romano» – edição diária em italiano, 18 de novembro de 2007.

É surpreendente, em sua opinião, a atualidade do documento pontifício, «sua capacidade verdadeiramente profética de falar também à humanidade de nosso século XXI».

«Destino universal dos bens da criação», «economia ao serviço do homem», denúncia das «especulações e exportações de recursos em proveito de quem as utiliza para seu próprio capricho», denúncia do «ulterior crescimento da riqueza dos ricos e do poder dos fortes que tornam mais grave a servidão dos oprimidos»: são temas dos quais «Populorum progressio» fala e que «hoje experimentamos na globalização», observa o purpurado.

Propor constantemente esta encíclica «com valor e constância diários» é o que a Santa Sé e a Igreja fazem, sublinha o cardeal Martino, recordando o contexto da publicação do documento.

Ela foi escrita «nos anos nos quais se dava o despertar dos homens e dos povos até então escravizados nas colônias – aponta. O Ocidente, que já não podia seguir apropriando-se do destino» daqueles, «oferecia-se para associar-se (ainda que certamente não de maneira desinteressada) ao desenvolvimento das novas nações», e «precisamente a maneira de tal intromissão impulsionou Paulo VI a intervir para afirmar que a Igreja não podia permanecer alheia ‘às alegrias e às esperanças, às tristezas e às dores do homem’», um chamado conciliar.

Em uma época «na qual quase toda avaliação política se baseava na contraposição leste-oeste», o então pontífice havia entendido que o eixo mais crítico era o norte-sul. «A história se encarregou de dar-lhe a razão – afirma o cardeal Martino: superaram-se as tensões leste-oeste, mas entre norte e sul surgiram mecanismos cruéis, como a dívida externa, as guerras combatidas no sul do mundo, a produção e o comércio de armas».

Cardeais, prelados e especialistas, membros do Pontifício Conselho Justiça e Paz, com oficiais e consultores do dicastério, enfrentarão desde a terça-feira, a partir do magistério do Papa Montini, temas como a dimensão moral do desenvolvimento, as novas pobrezas, os conflitos e o desarmamento, a proteção dos direitos humanos e a salvaguarda do meio ambiente.


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