ZP07112101 - 21-11-2007
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«Ensina-nos a rezar» é o melhor pedido que podemos fazer a Jesus, diz cardeal


Dom Eusébio Scheid reflete sobre a oração


RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 21 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- De acordo com o arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil), «o melhor pedido que podemos fazer a Jesus» é o mesmo feito pelos apóstolos «num dos mais belos episódios do Evangelho»: «ensina-nos a rezar».

Em mensagem aos fiéis difundida essa terça-feira pelo site de sua arquidiocese, Dom Eusébio Oscar Scheid recorda que «foi assim que Ele nos deixou o Pai-Nosso, a oração cristã por excelência, a partir da qual se desdobram todas as escolas e modalidades de oração».

Mas o que é oração? – pergunta o arcebispo, que cita uma «espontânea, porém profunda» definição de Santa Teresinha de Lisieux: “A oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.

Sob um enfoque teológico, afirma Dom Eusébio, «eu diria que oração é o falar divino».

«Quando fomos batizados, recebemos a vida divina, fomos enxertados em Cristo, como nos diz São Paulo. Em conseqüência, participamos de sua Paixão, Morte e Ressurreição (cf. Rm 6,1ss). Tamanha intimidade com o Senhor nos proporciona os meios mais diretos para ouvirmos e acolhermos esse falar divino. Se não o fazemos, é porque estamos nos fechando à gratuidade desse dom», escreve.

Ao citar algumas orações que, embora não sendo de cunho litúrgico, continuam compondo o patrimônio católico, o arcebispo aponta como uma das mais importantes o Rosário.

Dom Eusébio recorda ainda a Via-Sacra, «que tem suscitado a oração contemplativa de gerações de fiéis, sobre as etapas da Paixão e Morte do Senhor».

Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, o Ângelus «é outra jóia da tradição eclesial», que «mantém vivo o costume milenar da oração nas várias horas do dia, além de nos propiciar o louvor à nossa querida Mãe».

«Outra oração digna de destaque é o Glória, que introduz, com a adoração à Trindade, todos os contextos de nossa vida e nossas atividades.»

De acordo com o cardeal Scheid, a oração mental, pela qual se dirige, particularmente, a Deus, «é outra forma riquíssima de rezar».

«Santa Teresa d’Ávila, também Doutora da Igreja, nos ensina: “A oração mental, a meu ver, é apenas um comércio íntimo de amizade, em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nos sabemos amados”», cita.

Dom Eusébio enfatiza então que a oração «é diálogo com Deus, que nos fala, diretamente, como a amigos».

Deus «também dialoga conosco, através do mundo criado. Se, por exemplo, sorvo um copo d’água e agradeço a Deus por isso, tornei a água instrumento de oração».

«Os passarinhos cantam, e não sabem por quê. Mas se eu louvo o canto dos pássaros, se admiro a beleza divina, espelhada nas flores, estou dando linguagem, finalidade e coração ao mundo criado. Eis a beleza da oração de todas as coisas, quando, meditando sobre o mundo criado, falamos com Deus», afirma.

Segundo o arcebispo, o mundo do trabalho manifesta essa realidade da criação, na qual o homem é chamado por Deus a intervir.

«E o faz mediante esforços e sacrifícios, heranças do pecado das origens: “Tirarás da terra, com trabalhos penosos, o teu sustento todos os dias de tua vida” (Gn 3,17). Mas a oração é capaz de invocar o auxílio divino em todas as circunstâncias, de modo que, afinal, cada trabalhador, cada profissional possa exclamar, com gratidão: “Coroastes o ano com vossos benefícios; onde passastes ficou a fartura” (Sl 64[65],12)», destaca o cardeal Scheid.


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