FÁTIMA, terça-feira, 11 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- O bispo auxiliar de Cartum (Sudão), Dom Daniel Marko Kur Adwok, alerta para o perigo do processo de islamização do Sudão e para a persistência nos conflitos que assolam o país africano.
Em conferência realizada esse final de semana na Casa de Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima, o bispo relatou os diversos aspectos da guerra no Sudão, que se arrasta desde 1992, mas que só se tornou internacionalmente conhecida no ano de 2003, através da divulgação feita pela comunicação social internacional.
O prelado esteve em Portugal durante essa primeira semana de dezembro, a convite da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
Dom Daniel Adwok recordou vários momentos de negociação pela paz, as sucessivas assinaturas dos acordos de paz, e também os sucessivos incumprimentos dos mesmos tratados.
O bispo sudanês considera que a guerra no sul do país é diferente da vivida nas zonas mais a norte, porque os conflitos no norte têm como causa primeira as pressões econômicas, «devido à existência do petróleo, e também ideológicas».
«A guerra no sul do Sudão tem dificuldades acrescidas» – disse –, causadas pelo processo de islamização a cargo dos sucessivos governos instalados no poder.
O prelado acusa os governos sudaneses de «terem sempre o mesmo manifesto», com uma «agenda de islamização» que procura, através dos mais diversos meios, erradicar a Igreja Católica no Sudão.
Para Dom Adwok, que considera que «a comunidade internacional por vezes é ingênua ou fácil de enganar», se a agenda de islamização tiver sucesso, o povo (cristão) não poderá aceder a lugares de decisão econômica ou política, e continuarão as perseguições.
O bispo sudanês sublinhou em Fátima que a Conferência Episcopal do Sudão ambiciona uma solução pacífica e negociada para os conflitos e agradeceu aos organismos civis internacionais e também aos da Igreja Católica que prestam apoio às populações.
«Não podemos deixar de dar apoio ao povo, de lhes dar aquilo que eles necessitam, eles necessitam de ser livres, de se autodeterminarem quanto ao seu futuro e de terem a sua própria terra», afirmou Dom Adwok.
(Com AIS / Santuário de Fátima)
















