NOVA YORK, sexta-feira, 21 de março de 2008 (ZENIT.org).- Um matemático polonês, sacerdote católico, recebeu o prêmio acadêmico mais reconhecido do mundo por um estudo que mostra como a matemática pode oferecer provas indiretas da existência de Deus.
O premiado pela Fundação Templeton em Nova York com 1.1700.000 euros é Michael Heller.
As teorias de Heller não se centram tanto em oferecer provas da existência de Deus, mas em suscitar dúvidas acerca da realidade. Sua especialidade são as fórmulas complexas que são capazes de explicar qualquer coisa, inclusive a sorte, através do cálculo matemático. Heller é professor na Faculdade de Filosofia da Academia Pontifícia de Teologia de Cracóvia, Polônia, e foi amigo do Papa João Paulo II.
A pesquisa de Heller «ampliou o horizonte metafísico da ciência», segundo fontes da Fundação Templeton, que há 35 anos concede o prêmio ao progresso para a pesquisa ou desenvolvimento de realidades espirituais.
O Templeton é um prêmio internacional outorgado anualmente desde 1972 às personalidades que contribuem com a pesquisa ou a descoberta de realidades espirituais.
O prêmio leva o nome de seu fundador, sir John Templeton, um empresário americano presbiteriano de origem britânica, nomeado cavalheiro em 1987 por Isabel II em reconhecimento a seu trabalho filantrópico. Até 2001 se chamou Prêmio Templeton para o Progresso da Religião.
«Se perguntamos sobre a causa do universo, deveríamos perguntar sobre a causa das leis matemáticas. Ao fazê-lo nos situamos no grande plano mestre de Deus ao pensar o Universo, perante a pergunta sobre a causalidade definitiva: por que existe algo em vez de não existir nada?», explicou Heller.
«Ao perguntá-lo, não estamos perguntando sobre uma causa como outras causas. Perguntamos sobre a raiz de todas as causas possíveis – acrescenta. A ciência não é senão um esforço coletivo da mente humana para ler a mente de Deus desde as perguntas das quais nós e o mundo parecemos estar feitos.»
Segundo detalhou a fundação em um comunicado, Heller «desenvolveu agudos e surpreendentemente originais conceitos sobre a origem e as causas do Universo, com freqüência sob a intensa repressão governamental» na Polônia.
«É evidente que, para Heller, a natureza matemática do mundo e sua inteligibilidade por parte do ser humano constitui a evidência circunstancial da existência de Deus», assegurou seu colega Karol Musiol em defesa da candidatura do religioso premiado.
A organização detalha que Heller «trabalhou durante anos sob as asfixiantes estruturas da era soviética» e se converteu em uma «convincente figura nos domínios da física, cosmologia, teologia e filosofia, com uma ampla bagagem acadêmica e religiosa».
O próprio acadêmico defende em um escrito difundido pela Fundação John Templeton que «vários processos do Universo podem ser expostos como uma sucessão de estados, de forma que o precedente sempre serve de causa para explicar o que lhe sucede e sempre uma lei que dita como um estado deve suceder a outro».
O prêmio será oficialmente entregue pelo príncipe Felipe, duque de Edimburgo, em uma cerimônia privada que acontecerá em 7 de maio, em Londres.
Entre os premiados de outros anos, destaca-se a Madre Teresa de Calcutá, o escritor Alexander Solzhenitsyn, o reverendo Billy Graham e o líder espiritual indiano Pandurang Shastri Athavale.
















