ZP08041004 - 10-04-2008
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Zimbábue: Cáritas pede resultados das eleições presidenciais


Critica o «injustificável» atraso em sua disfunção


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 10 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Segundo a Cáritas Internacional, não existem razões válidas para atrasar ulteriormente a difusão dos resultados das eleições presidenciais no Zimbábue.

O país africano foi às urnas para eleger o próprio chefe de Estado em 29 de março passado, mas o resultado dos comícios ainda não foi dado a conhecer.

A tarefa de publicar os resultados, revela um comunicado da Cáritas Internacional, corresponde à Comissão Eleitoral de Zimbábue (ZEC), um corpo constitucional encarregado de conduzir as eleições e referendum «de forma eficiente, livre, justa, transparente e conforme a lei».

O mandato inclui assegurar que os resultados das eleições sejam dados a conhecer às partes e à nação o quanto antes possível, explica a Cáritas, comentando que o período de espera previsível já transcorreu.

Na consulta eleitoral se confrontaram Robert Mugabe, o presidente que deixa o cargo, no poder há mais de 27 anos, Morgan Tsvangirai e Simba Makoni. Se um candidato não obtém mais de 50% dos votos totais, é necessário recorrer a um segundo turno.

A secretaria geral da Cáritas Internacional, Lesley Anne Knight, afirmou que «não difundir os resultados eleitorais sem alguma razão fundamental é injustificável. Isso está simplesmente fazendo nascer suspeitas sobre o fato de que a Comissão Eleitoral do Zimbábue seja manipulada para produzir resultados contrários ao veredicto do povo».

«A voz do povo do Zimbábue deve ser sustentada e não alterada pelos interesses partidários – acrescentou. O atraso é uma via que conduz à tensão política e à instabilidade.»

Em seu interesse pela paz e pela justiça no país africano, a Cáritas sublinha seu próprio apoio à Igreja Católica e ao povo do Zimbábue no que concerne ao pedido à Comissão de que difunda rapidamente os resultados.

Todas as partes do país, sustenta Knight, «devem permanecer empenhadas no diálogo e na solução pacífica da crise política», condenando os atos de violência ou intimidação e assegurando a seus seguidores que levem adiante o processo democrático.

Alouis Munyaradzy Chaumba, da Comissão Católica para a Justiça e Paz no Zimbábue, afirmou que a autonomia e o profissionalismo da Comissão Eleitoral «foram seriamente afetados e profundamente comprometidos».

«No caso de uma repetição das eleições presidenciais, os habitantes do Zimbábue e a comunidade internacional terão sérias dúvidas sobre a justiça e a imparcialidade da ZEC na condução das consultas.»

Mais de 4 milhões de habitantes estão enfrentando uma grave emergência alimentícia. A Cáritas está proporcionando alimentos a mais de cem mil pessoas e ajuda a 16.500 famílias, dando apoio agrícola com vistas à próxima colheita.

A Igreja Católica no Zimbábue criticou o Governo presidido por Mugabe pelo colapso social e econômico do país, pela violação da liberdade e dos direitos fundamentais e por ter fracassado em combater a extensa corrupção.

A Cáritas Internacional é uma confederação de 162 organizações católicas de ajuda, desenvolvimento e serviço social, presente em mais de 200 países e territórios.


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