NOVA YORK, segunda-feira, 21 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI explicou neste sábado aos jovens americanos que a liberdade deve basear-se na verdade para não repetir experiências como as que arruinaram sua juventude sob o nazismo.
Os jovens, reunidos no campo de esportes do seminário de São José, de Nova York, felicitaram o Papa por seu aniversário, celebrado dois dias antes, cantando o tradicional «Happy Birthday», no idioma materno de Joseph Ratzinger.
«Obrigado por este detalhe comovedor; dou-vos ‘nota 10’ pela pronúncia do alemão», respondeu-lhes o Papa.
O pontífice começou recordando seus anos de juventude que, como reconheceu, «foram arruinados por um regime funesto que pensava ter todas as respostas; sua influência cresceu – infiltrando-se nas escolas e nos organismos civis, assim como na política e inclusive na religião – antes que se pudesse perceber claramente que era um monstro».
«Declarou Deus como proscrito, e assim se fez cego a tudo que é bom e verdadeiro – continuou dizendo em seu discurso pronunciado em inglês e espanhol. Muitos dos vossos pais e avós devem ter vos contado sobre o horror da destruição que aconteceu depois. Alguns deles, de fato, vieram para a América precisamente para escapar desse horror.»
O bispo de Roma agradeceu a Deus, porque hoje muitos «podem gozar das liberdades que surgiram graças à expansão da democracia e do respeito dos direitos humanos».
«Demos graças a Deus por todos os que lutaram para assegurar que possam crescer em um ambiente que cultiva o belo, bom e verdadeiro: vossos pais e avós, professores e sacerdotes, as autoridades civis que buscam o que é reto e justo.»
«Contudo, o poder destrutivo permanece. Dizer o contrário seria enganar a si mesmos. Mas este jamais triunfará; foi derrotado. Esta é a essência da esperança que nos distingue como cristãos.»
O Papa perguntou aos jovens: «Vós notastes que, com freqüência, se reivindica a liberdade sem jamais fazer referência à verdade da pessoa humana?».
«Há quem afirme hoje que o respeito à liberdade do indivíduo faz que seja errôneo buscar a verdade, inclusive a verdade sobre o que é o bem. Em alguns ambientes, falar da verdade se considera como uma fonte de discussões ou de divisões e, portanto, é melhor relegar este tema ao âmbito privado.»
«Ao invés da verdade – ou melhor, de sua ausência –, difundiu-se a idéia de que, dando um valor indiscriminado a tudo, se assegura a liberdade e se liberta a consciência.»
«Nós chamamos isso de relativismo», declarou, tratando de um dos temas centrais de seu pontificado.
Mas, «que objeto tem uma ‘liberdade’ que, ignorando a verdade, persegue o que é falso ou injusto? A quantos jovens se estendeu uma mão que, em nome da liberdade ou de uma experiência, os levou ao consumo habitual de entorpecentes, à confusão moral ou intelectual, à violência, à perda do respeito por si mesmos, ao desespero inclusive e, deste modo, tragicamente, ao suicídio?», perguntou-se.
«A verdade não é uma imposição – disse por último. Tampouco é um mero conjunto de regras. É a descoberta de Alguém que jamais nos trai; de Alguém de quem sempre podemos nos fiar. Buscando a verdade, chegamos a viver baseados na fé porque, em definitivo, a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo.»
«Esta é a razão pela qual a autêntica liberdade não é optar por ‘desfazer-se de’. É decidir ‘comprometer-se com’; nada menos que sair de si mesmo e ser incorporados no ‘ser para os outros’ de Cristo», afirmou.
No final, falando em espanhol, o Papa convidou os presentes a participarem da Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada em Sydney (Austrália), de 15 a 20 de julho.















