ZP08042303 - 23-04-2008
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Caritas pede embargo de armas para Zimbábue


Igrejas cristãs temem um genocídio


Por Nieves San Martín

ROMA, quarta-feira, 23 de abril de 2008 (ZENIT.org).- O presidente de Caritas Internacional, o cardeal Óscar Rodíguez Maradiaga, pediu ao Conselho de Segurança da ONU que imponha um imediato embargo de armas ao Zimbábue. Líderes eclesiais cristãos do país disseram que sem uma intervenção internacional o povo sofrerá um genocídio.

A Caritas Internacional, organização que agrupa 162 organizações humanitárias católicas de diversos países, disse que devem ser enviados ao Zimbábue observadores internacionais para zelar pelos direitos humanos, segundo informa seu site web.

A organização também disse que pessoas ligadas à Igreja local informaram que o crescente nível de violência é profundamente inquietante e neste contexto a comunidade internacional deve evitar que cheguem mais armas ao país. Foi negada permissão a um carregamento de armas procedente da China de descarregar na África do Sul no final de semana passado. A Caritas pediu a todos os países africanos que não permitam que armas viagem através de seu território.

O cardeal Rodríguez disse: «Não devem chegar mais armas ao Zimbábue, pelo menos isto é uma garantia de que não serão usadas contra o povo. Trabalhadores eclesiais informam de um recrudecimento da violência, que profundamente inquietante».

«A comunidade internacional tem um claro mandato para agir aprovando uma resolução do Conselho de Segurança da ONU fazendo valer um embargo de armas contra o país. A ONU deve também agir de modo pró-ativo enviando observadores ao Zimbábue para que zelem contra todos os abusos contra os direitos humanos. O Governo do Zimbábue deveria acolher os monitores internacionais».

«Como disse o Papa Bento XVI à ONU na semana passada, se os estados são incapazes de garantir a proteção de seu povo, a comunidade internacional deve intervir com os meios jurídicos proporcionados pela Carta das Nações Unidas e outros instrumentos internacionais. É a indiferença ou a falha em intervir o que ocasiona o dano real».

O presidente de Caritas Internacional pediu ainda para que se apóie o processo democrático no Zimbábue. Os resultados das eleições no país ainda não foram publicados.

Em uma declaração conjunta, assinada pela União Evangélica do Zimbábue, a Conferência Episcopal e o Conselho das Igrejas do Zimbábue, todos os líderes eclesiais pediram ajuda exterior para acabar com a agitação posterior aos comícios.

«A violência organizada perpetrada contra indivíduos, famílias e comunidades que são acusados de ter feito campanha ou votado pelo partido político ‘equivocado’… se estendeu a todo o país», afirma a declaração.

«Advertimos ao mundo que se não se fizer nada para ajudar o povo do Zimbábue neste entrave, logo veremos um genocídio similar ao produzido no Quênia, Ruanda, Burundi, e outros pontos quentes da África e outros lugares».

«Fazemos um apelo à Comunidade de Desenvolvimento da África do Sul (SADC), à União Africana e às Nações Unidas para trabalhar para deter a situação de deterioração política e da segurança no Zimbábue», conclui a declaração dos líderes eclesiais cristãos.


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