Por Roberta Sciamplicotti
NOVA YORK, segunda-feira, 16 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Frente à expansão da Aids, a Santa Sé considera que são necessárias urgentes «ações salva-vidas» para assistir os enfermos e também um aumento de consciência com relação à pandemia para reduzir sua incidência.
É esta a convicção expressada pelo arcebispo Celestino Migliore na reunião que acontece em Nova York durante a 62ª sessão da Assembléia Geral da ONU para análise dos progressos obtidos ao pôr em prática a Declaração de Compromisso sobre a Aids (2001) e a Declaração Política sobre a Aids (2006).
Após tais declarações, observou o prelado, núncio apostólico e observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, «foram realizados claros progressos, mas resta ainda muito trabalho».
Entre os êxitos alcançados, sublinhou em primeiro lugar «a melhora em conter a pandemia e em abrir uma possibilidade de esperança a que num futuro próximo mais pessoas sobrevivam ao HIV, e a que o compromisso de assistir os enfermos não só continuará, mas será aumentado».
No curso do encontro, o arcebispo quis recordar a ação da Igreja em favor de todos os portadores da Aids.
Através da Fundação «O Bom Samaritano», fundada para «proporcionar assistência econômica imediata às instituições médicas», a Santa Sé pôs à disposição cerca de 1,5 milhão de dólares para a aquisição de antibióticos, explicou.
No âmbito nacional, acrescentou, as conferências episcopais «desenvolveram e promoveram uma maior consciência e programas para ajudar a luta contra esta pandemia, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento e entre as populações mais marginalizadas».
Neste sentido, o prelado citou o exemplo da Índia, onde há mais de 100 centros ativos para oferecer tratamento, assistência e apoio aos portadores do HIV. A estes se acrescentarão logo outros 45 em zonas rurais e isoladas.
Nos Estados Unidos, a Conferência Episcopal sustenta, através de «Catholic Relief Services», cerca de 250 projetos nos países mais pobres, com um orçamento para 2007 de mais de 120 milhões de dólares para a assistência.
No âmbito internacional, acrescentou o arcebispo, a Santa Sé está presente em todos os continentes através de suas instituições, «proporcionando instrução, tratamento, assistência e apoio, independentemente da etnia, nacionalidade ou credo».
Graças ao apoio de 10 mil agentes e voluntários, chegou-se a 4 milhões de pessoas, destinatárias de programas de aumento da consciência e de educação. São mais de 350 mil os enfermos que recebem alimento e ajuda, e 90 mil os que recebem antibióticos. Um terço desta assistência, sublinha o observador permanente, é completamente gratuita.
O prelado disse ser «profundamente consciente» de que um número significativo de mortes de portadores do HIV depende de uma série de enfermidades em correlação com a pandemia, como a tuberculose e malária.
Por isso, animou em seu trabalho todos que lutam para «reduzir o número das infecções de tuberculose e os devastadores efeitos da malária». Com freqüência, denunciou, «estas doenças não são consideradas e os programas não obtêm financiamento adequado».
A Santa Sé e suas instituições, prosseguiu o arcebispo, também continuam pedindo maior acesso a teste fiáveis sobre a Aids, aos tratamentos antibióticos, à prevenção da transmissão mãe-filho e às tecnologias de diagnóstico.
«Junto ao acesso à assistência à saúde básica e à alimentação sustentável, estes progressos tecnológicos podem lentamente cobrir a distância entre o que é possível e o que é necessário», declarou.
Além de valorizar os êxitos das ações empreendidas até hoje, concluiu o arcebispo, é necessário renovar empenho em «empreender necessárias ações salva-vidas».
Neste sentido, a Santa Sé e suas organizações sublinham seu empenho em enfrentar a doença, «de forma participante e compassiva, para buscar uma maior solidariedade para com todos os membros de nossa sociedade e promover a inerente dignidade da pessoa humana em cada setor da vida».
















