ZP08072703 - 27-07-2008
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Satanismo, expressão da precariedade da sociedade


Afirma o Pe. Arboleda, especialista do Observatório Pastoral do CELAM


BOGOTÁ, domingo, 27 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Nos últimos anos, o fenômeno do satanismo reapareceu em formas chamativas. Um especialista no tema, Pe. Carlos Arboleda, do observatório Pastoral do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), explica como o satanismo se converteu em uma expressão da precariedade da sociedade.

Para compreender melhor o satanismo ativo, ele o classifica em 3 categorias: satanismo de adolescentes, satanismo ácido e satanismo racionalista.

O satanismo de adolescentes é próprio de pessoas nessa fase de idade, que formam grupos satânicos, ainda que não conheçam nada sobre o satanismo.

Os pré-adolescentes ou adolescentes fazem isso por curiosidade e movidos por uma busca de identidade e de auto-afirmação frente aos adultos. Geralmente estão em busca de afetividade e socialização. Costumam reunir-se às sextas-feiras à noite, tomar bebidas alcoólicas, ouvir rock e, com algum iniciado no satanismo, vão aprofundando no conhecimento da filosofia do grupo. Às vezes, se há algum adulto, é ele quem os inicia em atos imorais; esse adulto geralmente tem dificuldades psicológicas ou éticas.

O satanismo ácido reúne pessoas que já executam atos mais graves, como consumo de drogas, atos sexuais e orgias e possivelmente delitos. Geralmente são jovens com alguma conduta desviada, que escolhem esse comportamento como uma forma de agregar-se e de expressar poder diante do seu grupo social. Freqüentemente não conhecem a teoria do movimento satânico, mas utilizam esse nome para gerar temor ou medo entre as pessoas.

O satanismo racionalista é próprio de pessoas cultivadas intelectualmente, que geralmente leram obras de Nietzsche e Crowley. Seu satanismo é fruto de uma opção pessoal e de uma filosofia de vida. São pessoas comuns e correntes, não realizam necessariamente rituais e não entram em conflito com o grupo social em que estão; simplesmente não concordam com os convencionalismos culturais, religiosos ou legais da sociedade atual. Este seria o autêntico satanismo com motivações filosóficas.

Diante dessa realidade, apresentam-se 2 interpretações. Uma, anti-satânica, que acredita que o satanismo é como uma máfia que organiza um complô contra os bons costumes, contra a Igreja e contra as religiões. Cria-se um rumo-pânico que produz notícias alarmantes. Em outras palavras, seria o flagelo apocalíptico do anticristo feito realidade.

Trata-se de um exagero, levado a cabo dentro de grupos fundamentalistas cristãos, ainda que haja, efetivamente, atos cometidos por grupos satânicos, mas não na proporção que eles calculam.

A outra interpretação leva a uma atitude mais crítica e mais real. O satanismo não é a obra-prima da multinacional do mal, mas a expressão da precariedade da sociedade.

A falta de afeto na família e a destruição da mesma, a marginalidade e a exclusão social e o vazio de uma sociedade competitiva, consumista e individualista são a matéria-prima do satanismo.

«Os adolescentes que crescem sem a presença dos pais, os jovens que não tiveram oportunidades na vida e a falta de uma genuína experiência religiosa em um meio voraz criam bases para o surgimento da ideologia satânica, como meio compensador de carências ou expressão dessa carência», conclui o Observatório Pastoral do CELAM.


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