Por Alexandre Ribeiro
RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 31 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Eusébio Scheid, considera que não há «verdadeira e profunda evangelização» sem a caridade social.
Em mensagem enviada a Zenit essa terça-feira, o arcebispo explica que o «autêntico entendimento» sobre a caridade social «começa a partir da Doutrina Social da Igreja, que busca responder à pergunta de São Paulo a Cristo: ‘Quem és tu, Senhor?’»
«O próprio Mestre ensina: ‘Tudo o que fizestes ao menor destes meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.’»
«Quem és tu, Senhor? O perigo é que a essa pergunta se dê uma resposta de âmbito puramente social», afirma o arcebispo.
«O pobre, o abandonado, o desabrigado ou, como se diz muitas vezes hoje, o excluído, não é somente o excluído social. É o excluído de todas as dimensões da vida humana: material, cultural, emocional e espiritual. Excluído, até, do direito à própria dignidade.»
Segundo o arcebispo, isto acontece em qualquer lugar, «dos ambientes mais violentos aos mais tranqüilos, variando apenas a forma como se expressa».
«Quanto mais a nossa sociedade se gaba da defesa dos direitos humanos, parece que estes sofrem maior negligência, só que encoberta pela retórica sutil e pelo comportamento dúbio dos que não vivem o que pregam. Toda exclusão é pecaminosa e contradiz a genuína doutrina do Evangelho.»
De acordo com o cardeal Scheid, quando se considera o pobre apenas do ponto de vista social, resvala-se para a ideologização.
«Ideologia é algo que, quase sempre, leva à negação dos melhores valores, dos mais preciosos ensinamentos do Cristo Senhor.»
«A ideologia atéia, sem respaldo moral ou ético, envereda por um caminho tortuoso. Freqüentemente, desvia-se para a esquerda, de cunho partidário, que recebe ora o nome de socialismo, ora de trabalhismo, ou mesmo comunismo, embora este já seja um tanto anacrônico, pelo menos na Europa, em geral.»
«De tais doutrinas nunca vamos colher bons frutos, pois degeneram na luta de classes, e essa luta nunca vai atingir uma paz, que se possa dizer cristã ou, ao menos, humanamente aceitável. Considerar o homem apenas segundo a sua realidade material e terrena é um reducionismo inaceitável».
D. Eusébio deseja que «Deus abençoe a todos que, unidos a Cristo e aos irmãos e irmãs», exercem sua missão no campo da caridade social «com discernimento e visão esclarecida, confiantes nos frutos, amadurecidos a seu tempo pela graça divina, que nunca nos haverá de faltar».
O cardeal enfatiza que a arquidiocese do Rio de Janeiro conta «com o apoio e a boa vontade de todos».
















