ZP08092609 - 26-09-2008
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Dom Collazi: família, uma das principais preocupações no Uruguai


O presidente dos bispos uruguaios convida o Papa, em nome de seu governo, a visitar o país


CASTEL GANDOLFO, sexta-feira, 26 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- «A desvalorização da vida e o contínuo deterioro da instituição familiar» são, segundo explicou a Bento XVI Dom Carlos Collazi, bispo de Mercedes e presidente da Conferência Episcopal do Uruguai, alguns dos problemas mais importantes do país.

O presidente do órgão colegial dos bispos uruguaios encabeçou a delegação dos pastores das 10 dioceses do país, na audiência com o Papa desta sexta-feira no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, por ocasião da visita ad limina apostolorum, que os prelados estão realizando estes dias.

O prelado se referiu a esta questão também durante uma entrevista concedida ao jornal vaticano «L’Osservatore Romano» (edição diária em italiano de 25 de setembro), e em especial à lei do aborto que atualmente se debate no Parlamento, junto com outras leis «contrárias à dignidade humana».

«Confiamos que algumas destas leis não cheguem a aprovar-se», explicou o bispo de Mercedes, que assegurou que, no caso da descriminalização do aborto, o presidente do governo, que é médico de profissão, lhe assegurou que não se fará.

Outro dos problemas que Dom Collazi explicou ao Santo Padre foi «a crise demográfica e o envelhecimento da população», e a «violência generalizada», especialmente a «crescente violência doméstica» e o fenômeno das «crianças de rua».

No âmbito político, acrescentou, existe uma «crescente confrontação que impede ver o positivo no outro e que paralisa», além de um «desencanto» da população «diante da não-realização de mudanças prometidas».

«Somos conscientes das mudanças rápidas e profundas que afetam fortemente a nossa sociedade e dos desafios pastorais que nos propõem. Não é fácil discernir em meio à complexidade da situação em que vivemos. Somos otimistas, uma vez que animamos a não cair no desalento ou na busca de respostas imediatistas e simplistas», acrescentou.

Evangelização

O bispo, em nome de todos os prelados uruguaios, destacou a urgência de uma nova evangelização do país como um dos três objetivos fundamentais da Igreja no Uruguai, e em conexão com a missão que se pôs em andamento em todo o continente.

«Nosso peregrinar deste ano será para colocar-nos decididamente em clima da Missão Continental que sua Santidade impulsionou e animou em Aparecida, e na recente Mensagem ao concluir o Congresso Missionário no Equador», explicou Dom Collazzi.

Na entrevista concedida a L’Osservatore Romano, o prelado explicou que o Uruguai «viveu antecipadamente um certo laicismo que agora outros países estão atravessando».

Neste sentido, o prelado destacou diante do Papa as dificuldades que a escola católica atravessa, e «sua luta diária por subsistir. Mantém-se fundamentalmente com a ajuda sacrificada das famílias», explicou.

Por último, o prelado quis transmitir ao Papa o convite realizado pelas autoridades do Uruguai para que visite o país.

«O presidente da República, na última audiência concedida ao Conselho Pontifício da Conferência Episcopal, pediu-nos expressamente que lhe transmitisse suas saudações e reiterasse seu convite a visitar-nos. Da nossa parte lhe dizemos que seria uma graça receber-lhe em nosso Uruguai!», concluiu.


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