ROMA, domingo, 9 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Enquanto o resto de Roma estava dormindo após as festividades do Halloween, no dia 1º de novembro, um grupo de homens e mulheres estava acordado e mostrou à cidade o que a data realmente significou.
O Corsa dei Santi, ou a Corrida dos Santos, é a resposta de Roma para as atividades do Halloween de fantasiar-se com sórdidas e muitas vezes vulgares fantasias de demônios e bruxas; foi estreada no sábado retrasado com uma entusiástica recepção.
Mais de 2 mil participantes chegaram à Praça de S. Pedro para a corrida de 10,5 km organizada pela fundação salesiana «Don Bosco nel Mondo», para arrecadar dinheiro para suas missões no Congo.
O novo prefeito de Roma, Gianni Alemanno, vestindo um abrigo verde e a faixa vermelha, branca e verde de seu ofício, juntou-se à multidão na praça para iniciar a corrida; então trocou sua faixa por um número e correu junto ao grupo (ele fez um tempo verdadeiramente respeitável, por sinal).
A corrida levou os participantes pelos principais lugares cristãos da cidade, passando pela prisão Mammertina, onde os santos Pedro e Paulo foram presos, S. João de Latrão e Santa Maria Maior antes de retornar para a praça de S. Pedro em tempo para a oração do Ângelus ao meio-dia com o Papa.
Havia também um segundo curso, menor, que cobria os quatro quilômetros ao redor do Vaticano, mas muitos dos corredores optaram pelo trajeto mais desafiador.
Esta resposta cristã a um feriado cada vez mais paganizado relembra os dias de S. Felipe Neri, o florentino que veio evangelizar Roma no século XVI de maneira nova e inteligente, tornando-se um dos mais amados santos da cidade.
S. Felipe Neri originou a devoção às sete igrejas, um dia de oração, piquenique e peregrinação enquanto se visita as igrejas históricas da cidade, contra as festividades cheias de bebida do Martedi Grasso ou Terça-feira Gorda.
Alguns corredores dedicaram seus esforços ao santo de sua paróquia local; então S. Catarina e o Padre Pio foram honrados por seus devotos vestidos com camisetas ou medalhas que celebravam seus intercessores favoritos.
A corrida dos santos também atraiu corredores de lugares distantes. Nicholas George, um seminarista da Universidade de St. Thomas, junto a um amigo que é seminarista no North American College, encontrou uma diferente forma de fazer turismo em Roma através dessa corrida.
Para os dois futuros sacerdotes, «correr através de mais de 2 mil anos de história foi muito bom», disse George. «Começar na Praça de S. Pedro, alinhado com os santos, e fazer a corrida através das ruas que eles conquistaram com seu sangue, foi definitivamente meu melhor dia em Roma.»
George descreveu o melhor momento da corrida como «subir o Monte Esquilino para ver Santa Maria Maior. Saímos de S. Pedro e passamos pelo Coliseu e S. João de Latrão; depois de Santa Maria Maior, havia uma grande descida que chegava ao caminho de casa».
Seguindo nos passos da multidão de santos que «que correram a boa corrida» através das mesmas ruas tomadas pelos corredores, o significado do chamado universal à santidade se tornou mais claro.
Como S. Paulo escreveu aos Coríntios: «Vocês sabem bem que quando um homem participa de uma corrida, a corrida é para todos, mas o prêmio é para um. Corram, pois, pela vitória. Todo atleta deve manter seus apetites sob controle; e ele faz isso para ganhar uma coroa que perece, sendo que a nossa é uma coroa imperecível».
Elizabeth Lev leciona Arte e Arquitetura Cristã no campus italiano da Universidade de Duquesne.
















