ROMA, quinta-feira, 27 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Que os direitos humanos «se façam valer também para nós»: é o apelo lançado nesta quarta-feira pelo bispo auxiliar de Bagdá, Dom Shlemon Warduni.
O prelado se reuniu com Bento XVI no final da audiência geral, e o Papa lhe disse: «O Iraque está no nosso coração. Recordamos sempre os cristãos, oramos por eles e pela paz no país».
«Durante todas as guerras, nossas igrejas, nossas casas estavam abertas aos muçulmanos e a todas as demais confissões. Nestes últimos tempos, contudo, nos assombra que os cristãos sejam atacados de modo quase diabólico; em pouco tempo foram assassinados 13, três casas destruídas e mais de 2.500 famílias foram expulsas de suas casas, obrigadas a uma migração forçada. Com megafones se disse aos cristãos: ‘Abandonem suas casas!’»
O prelado revela que nas últimas semanas, a Igreja lançou um «apelo ao mundo para que nosso governo se mova em favor da paz e mande as forças armadas iraquianas», em defesa da minoria cristã atacada em Mosul.
«Fomos escutados e o primeiro-ministro e o presidente enviaram os soldados, que levaram um pouco de paz.»
Naquelas áreas, sublinha, «os cristãos recuperaram um pouco de confiança, em parte porque souberam que nós nos estamos fazendo ouvir e 700 ou 800 famílias regressaram».
Ainda que estejam voltando, «muitos não têm ainda confiança e sentem medo de ser desalojados de novo».
No começo, denuncia, «nem o governo, nem a administração de Mosul, nem os partidos nos ajudaram. Só depois de alguns dias de apelos contínuos nos escutaram, mas lamentavelmente nem a Europa, nem os Estados Unidos, nem a ONU..., ninguém nos apoiou naquela ocasião».
«Por isso, dizemos a todos os que se ocupam de direitos humanos – e não por ser cristãos – que queremos que se façam valer também para nós», afirma.
Quanto à contribuição que os cristãos do Ocidente podem dar aos irmãos iraquianos, Dom Warduni indica em primeiro lugar a oração: «Rezemos a Deus, porque Ele é o rei da paz que pode fazer tudo: Ele pode mudar as mentes, os corações, as atitudes».
«O mundo está cheio de interesses, como o do petróleo que nós temos; talvez sem este ouro negro estaríamos em paz», admite.
Junto a isso, «é preciso sensibilizar os governos, porque em nosso país, em nossas casas, somos estrangeiros. E que aqueles que tiveram de ir embora sejam ajudados».
O prelado informa que «há uma pequena melhora na frente do terrorismo, que dá um pouco de esperança», na maior parte do país. «Não é, contudo, um sinal de esperança que nos faça dizer que teremos paz», conclui.
















