ZP08112811 - 28-11-2008
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Vaticano exige cumprimento dos compromissos contra minas terrestres


90% de suas vítimas são civis


GENEBRA, sexta-feira, 28 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé convidou os Estados a cumprirem os compromissos assumidos contra as minas terrestres na 9ª reunião da Convenção sobre a proibição do emprego e produção destas armas. 

O arcebispo Silvano Tomasi, núncio apostólico e observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas em Genebra, sublinhou que os êxitos conseguidos com esse acordo, conhecido como Convenção de Ottawan, se convertam em um fracasso, se no respeito dos acordos não se considera «o caráter central da pessoa». 

Em particular, o prelado exigiu que a questão da prorrogação do período necessário para a destruição dos arsenais e para desativar as regiões afetadas seja assumida «com a máxima seriedade». 

Vários países não cumpriram, por vários motivos, os compromissos assumidos. O representante do Papa considerou que «se não queremos que haja outras vítimas, é absolutamente necessário desativar as minas nas regiões afetadas o quanto antes». 

O observador vaticano alentou a cada um que cumpra com sua parte: os países afetados devem mostrar, com transparência, planos para redobrar os esforços orientados a acabar os trabalhos já começados, enquanto os países doadores estão chamados a responder às necessidades dos estados que, por causa da atual crise econômica internacional, não são capazes de cumprir os compromissos. 

Dom Tomasi concluiu constatando a necessidade de não criar precedentes que possam contrair o espírito da Convenção sobre a proibição das minas terrestres. 

Onze anos após sua aprovação, de 24 a 28 de novembro se celebrou na sede da ONU em Genebra a 9ª Reunião de Estados, parte do Tratado contra as minas. 

Landmine Monitor apresentou na semana passada, em Bruxelas, seu informe anual sobre minas terrestres, que revela que ainda que só dois países, Birmânia e Rússia, continuam usando-as, em 2007 estas armas e outros «remanescentes explosivos de guerra», como granadas, morteiros e bombas cluster, mataram 5.426 pessoas. 

Stan Brabant, porta-voz de Handicap International, que apresentou o informe em Bruxelas, reconheceu que é provável que a verdadeira quantidade de vidas perdidas seja muito mais alta. 

Não obstante, observou que se conseguiu um constante progresso na redução de vítimas das minas terrestres desde o tratado internacional para proibir esses artefatos, em 1997. Durante os anos 90, as minas e armas relacionadas causaram cerca de 26 mil mortes por ano em média; 90% das vítimas das minas terrestres eram civis. 

No marco do trabalho, que foi ratificado por 156 nações, os governos têm 10 anos para eliminar as minas de seu território. 

Entre os países que não assinaram o Tratado se encontram os Estados Unidos, China, Rússia, Cuba, Índia, Israel, Irã, Paquistão, África do Sul, entre outros. 


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