ZP08120907 - 09-12-2008
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Bento XVI: em Maria resplandece vitória de Cristo sobre pecado


Durante a oração do Ângelus na comemoração da Imaculada


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 9 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir o discurso pronunciado pelo Papa Bento XVI nesta segunda-feira, solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, durante a oração do Ângelus com os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. 

* * *

Queridos irmãos e irmãs: 

O mistério da Imaculada Conceição de Maria, que hoje celebramos solenemente, nos recorda duas verdades fundamentais de nossa fé: em primeiro lugar, o pecado original, e depois a vitória da graça de Cristo sobre ele, vitória que resplandece de modo sublime em Maria Santíssima. A existência do que a Igreja chama de «pecado original» é infelizmente uma verdade esmagadora, só em olhar ao nosso redor e sobretudo em nosso interior. A experiência do mal é, de fato, tão consistente, que se impõe por si mesma e nos suscita a pergunta: de onde procede? Especialmente para um crente, a questão é ainda mais profunda: se Deus, que é a bondade absoluta, criou tudo, de onde vem o mal? As primeiras páginas da Bíblia (Gn 1-3) respondem precisamente a esta pergunta fundamental, que interpela cada geração humana, com o relato da criação e da queda dos pais: Deus criou tudo para que exista, em particular criou o homem à sua própria imagem; não criou a morte, mas esta entrou no mundo por inveja do diabo (cf. Sb 1, 13-14; 2,23-24) o qual, rebelando-se contra Deus, atraiu com enganos também os homens, induzindo-os à rebelião. É o drama da liberdade, que Deus aceita totalmente por amor, mas prometendo que haverá um filho de mulher que esmagará a cabeça da antiga serpente (Gn 3, 15). 

Desde o princípio, portanto, o «eterno conselho» – como diria Dante – tem um «termo fixo» (Paraíso, XXXIII, 3): a Mulher predestinada a ser mãe do Redentor, mãe d’Aquele que se humilhou até o extremo para reconduzir-nos à nossa dignidade original. Esta Mulher, aos olhos de Deus, tem desde sempre um rosto e um nome: «cheia de graça» (Lc 1, 28), como a chamou o Anjo, visitando-a em Nazaré. É a nova Eva, esposa do novo Adão, destinada a ser mãe de todos os redimidos. Assim escrevia Santo André de Creta: «A Theotókos Maria, o refúgio comum de todos os cristãos, foi a primeira em ser libertada da primitiva queda de nossos pais» (Homilia IV sobre o Natal, PG 97, 880 A). E a liturgia de hoje afirma que Deus «preparou uma digna morada para seu Filho e, em previsão de sua morte, preservou-s de toda mancha de pecado» (Oração Coleta). 

Queridíssimos, em Maria Imaculada contemplamos o reflexo da Beleza que salva o mundo: a beleza de Deus que resplandece no rosto de Cristo. Em Maria, esta beleza é totalmente pura, humilde, livre de toda soberba e presunção. Assim, a Virgem se mostrou a Santa Bernadete, há 150 anos, em Lourdes, e assim se é venerada em tantos santuários. Hoje à tarde, segundo a tradição, também eu lhe prestarei homenagem diante do monumento dedicado a Ela na Praça da Espanha. Invocamos agora com confiança a Virgem Imaculada, recordando com o Ângelus as palavras do Evangelho, que a liturgia de hoje propõe para a nossa meditação. 

[Depois do Ângelus]

Estou contente de saudar a Pontifícia Academia da Imaculada e seu presidente, o Cardeal Andrea Maria Deskur. Queridos amigos, 20 anos depois da aprovação do nosso Estatuto da Academia, invoco a Virgem Santa para que vele sempre sobre vós e sobre vossa atividade. 

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

© Libreria Editrice Vaticana]


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