ZP09013001 - 30-01-2009
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Para enfrentar a crise, não prescindir da experiência espiritual, pede arcebispo


D. Walmor de Azevedo diz que não basta retomar a aceleração da economia


Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A experiência espiritual é um itinerário indispensável no enfrentamento da crise econômica, afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil).

Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, os analistas, os governantes e as pessoas em geral têm de ter uma «compreensão mais clara da necessidade de uma mudança mais radical na conduta pessoal e social».

«A afirmação de que a crise econômica mundial tem raízes numa crise moral e espiritual é a tentativa de configurar o indispensável consenso de que é preciso mexer, mais radicalmente, na conduta», destaca Dom Walmor, em artigo enviado a Zenit nesta sexta-feira.

«O modo de organizar e viver na sociedade mundial evoluiu em direções que vão se tornando insustentáveis. São insustentáveis do ponto de vista ecológico, social, político e econômico.»

De acordo com o arcebispo, o saber contemporâneo, procedente de diferentes fontes, «tem o desafio de promover a consciência de que é indispensável a elaboração e apropriação de novos itinerários que tenham força de modificar a configuração contemporânea do modo de viver a vida e de conduzir as relações sociais».

«A crise econômica mundial, desta etapa da história da humanidade, avaliada nos seus números e no seu alcance como gravíssima, não pode ser enfrentada, para sua superação, simplesmente com a resposta dos vetores que permitirão uma nova aceleração da economia, garantindo muito dinheiro no mercado.»

«Muito dinheiro que, incontestavelmente, não tem mudado o quadro vergonhoso da exclusão social mundial, mas até agravou o inaceitável fosso entre ricos e pobres», afirma.

Segundo Dom Walmor, o dinheiro e sua lógica «não têm alma». Por isso mesmo, «brota a ganância que incita os corações; as perversidades mentirosas que levam a manipulações do dinheiro pertencente ao bem comum, tantas vezes usado, guardado, priorizado até o ponto de sacrificar os mais pobres nos seus direitos de sobrevivência e dignidade».

Neste horizonte, é preciso proclamar «a insubstituível necessidade de entender que entre os novos itinerários, para a superação desta crise mundial atual, não se pode deixar de lado os itinerários próprios de uma experiência espiritual».

«Estes itinerários espirituais têm propriedades para tocar a indispensável configuração nova de uma compreensão antropológica que permita a compreensão e concretização das posturas novas no conjunto das relações sociais e políticas contemporâneas.»

De acordo com o arcebispo, não é fácil admitir esta necessidade no enfrentamento e superação da crise.

«Não basta apenas esperar que surjam alguns salvadores de pátrias. Novos itinerários são urgências. Não se pode agora desconsiderar itinerários espirituais», enfatiza.


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