Por Carmen Elena Villa
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Uma grande maquete tridimensional da Cidade do Vaticano, feita em madeira, com todos seus edifícios reproduzidos, abre a exposição «80 anos do Estado Vaticano», que será inaugurada na próxima quarta-feira, no Braço de Carlo Magno, junto à Praça de São Pedro.
«A exposição apresenta a parte histórica do tratado Lateranense, que deu início à vida e depois à constituição do Estado do Vaticano, como foi pensado por Pio XI e construído nos anos seguintes», explica à Zenit Dom Renato Boccardo, secretário de governo do Estado Vaticano, entidade que promoveu a exposição.
Dom Boccardo definiu a exposição como «um álbum fotográfico ou uma janela que se abre sobre a vida cotidiana deste pequeno Estado simbólico, mas que garante à Santa Sé a liberdade necessária para exercer sua missão».
Um percurso pela história do Estado Vaticano
A primeira seção mostra como era o Vaticano antes de 11 de fevereiro de 1929, data na qual se assinaram os pactos lateranenses. Parte de algumas imagens dos séculos XVI e XVII e mostra as modificações urbanísticas e topográficas que a cidade teve durante os séculos sucessivos.
Expõem-se desenhos e fotos inéditas, provenientes da Biblioteca Apostólica, da Fábrica São Pedro e do Governo do Vaticano.
A sala seguinte está dedicada ao Papa Pio XI, que era o pontífice no momento da assinatura dos Pactos Lateranenses. Expõe alguns de seus objetos pessoais, como sua mitra, um retrato inédito e numerosos documentos de seu pontificado.
Depois, os visitantes podem ver a mesa onde foram assinados os pactos lateranenses, negociados com o rei da Itália, Víctor Manuel III; através deles se reconheceu a independência e soberania da Santa Sé, criou-se o Estado da Cidade do Vaticano e se definiram as relações civis e religiosas entre o governo e a Igreja na Itália.
Expõe-se também o texto original do Tratado, que se conserva normalmente no Arquivo Secreto Vaticano. Também se mostram outros documentos sobre os lugares extraterritoriais estabelecidos no acordo.
O núcleo central da exposição está dedicado ao nascimento do novo Estado. Podem-se ver assim as novas construções feitas a partir da assinatura dos pactos lateranenses: o governo, o tribunal, a estação ferroviária, a rádio (onde se exibe o primeiro microfone da Rádio Vaticano), os museus e a academia da ciência, entre outras.
A última parte da exposição está dedicada aos pontífices do Estado Vaticano, cada um representado com seu retrato proveniente da coleção dos Museus Vaticanos: Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI.
Também há uma sala onde os assistentes podem ver um documentário sobre o nascimento, a formação e história do Estado Vaticano.
«O que nos importava ao pensar nesta mostra era fazer ver como o Estado nasceu, cresceu e como funciona hoje», disse Dom Boccardo.
A exibição estará aberta até 10 de maio. Em sua preparação, participou uma comissão organizada por Dom Boccardo, e integrada, entre outros, por Dom Cesare Pasini, prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana, Giovanni Maria Vian, diretor de L'Osservatore Romano, e Dom Antonio Flipazzi, da Secretaria de Estado.
Os Pactos de Latrão ou Pactos Lateranenses (11 de fevereiro de 1929) consistem em três acordos: um pacto reconhece a independência e soberania da Santa Sé e cria o Estado da Cidade do Vaticano; um acordo define as relações civis e religiosas entre o governo e a Igreja na Itália – resume-se no lema «Igreja livre em Estado livre»; e, em terceiro lugar, uma convenção financeira proporciona à Santa Sé uma compensação pelas perdas sofridas na anexação dos Estados Pontifícios à Itália, em 1870. Os pactos foram revisados em 1984, quando era primeiro-ministro o socialista Bettino Craxi.
















