FÁTIMA, sexta-feira, 6 de março de 2009 (ZENIT.org).- Os bispos de Portugal apresentaram Dom Nuno Álvares Pereira, herói nacional que será canonizado a 26 de abril, como um exemplo para os fiéis de hoje.
Em nota pastoral divulgada nesta sexta-feira, a CEP (Conferência Nacional Portuguesa) afirma que, «para além de ser um modelo de santidade, no seguimento radical de Cristo», há aspectos de «particular atualidade» no testemunho do beato Nuno de Santa Maria.
«Nuno Álvares Pereira foi um homem de Estado, que soube colocar os superiores interesses da Nação acima das suas conveniências, pretensões ou carreira. Fez da sua vida uma missão, correndo todos os riscos para bem servir a Pátria e o povo», afirma a CEP.
Segundo o organismo, «em tempo de grave crise nacional, optou corajosamente por ser parte da solução e, numa entrega sem limites, enfrentou com esperança os enormes desafios sociais e políticos da Nação».
«Coroado de glória com as vitórias alcançadas, senhor de imensas terras, despojou se dos seus bens e optou pela radicalidade do seguimento de Cristo, como simples irmão da Ordem dos Carmelitas.»
«Não se valeu dos seus títulos de nobreza, prestígio e riqueza, para viver num clima de luxos e grandezas, mas optou por servir preferencialmente os pobres e necessitados do seu tempo», recordam os bispos.
Em tempos de crise global, o episcopado considera que «o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens».
«Será também um apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão do melhor humanismo ao serviço do bem comum.»
Nesse sentido, os bispos propõem «o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres».
«Assim seremos parte ativa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos», afirmam.
Trajetória
Nascido em 1360, Nuno Álvares Pereira foi chefe militar, estratega das batalhas dos Atoleiros, de Aljubarrota e Valverde, segundo refere a biografia que integra a nota pastoral da CEP.
Casou-se e teve três filhos, sobrevivendo apenas uma filha. Tendo ficado viúvo muito cedo e estando consolidada a paz, decidiu aprofundar os ideais da Cavalaria e dedicar-se mais intensamente aos valores do Evangelho, sobretudo à prática da oração e ao auxílio dos pobres.
Assim, foi admitido como membro da Ordem do Carmo, para a qual ele mandou construiu um convento em Lisboa, onde viveu o restante de sua vida.
Logo após a sua morte começou a ser venerado como santo pela piedade popular. As suas virtudes heróicas foram oficialmente reconhecidas pelo Papa Bento XV, que o proclamou beato, em 1918, passando a ter celebração litúrgica a 6 de novembro.
















