MAYNOOTH, segunda-feira, 1 de junho de 2009 (ZENIT.org).- “Para abordar adequadamente os fracassos do passado e para proteger as crianças hoje, toda a Igreja tem de analisar como e por que pôde desenvolver-se esse ambiente de abusos e tornar-se endêmico”, assinalam os 20 bispos da Comissão Permanente da Conferência Episcopal Irlandesa em um comunicado emitido na segunda-feira passada, após uma reunião sobre o informe de abusos a menores em instituições católicas, realizada no mesmo dia em Maynooth.
Com relação às situações denunciadas (cf. Zenit, 21 de maio de 2009), os bispos declaram que “nossa resposta em curso deve apoiar os sobreviventes dos abusos e promover uma civilização de amor para as crianças, a fim de que possam receber a melhor atenção e proteção possíveis”.
Os bispos da Irlanda convidaram membros de congregações religiosas e institutos à sua próxima reunião plenária, que se realizará em junho, para refletir “cuidadosamente” sobre o informe e debater suas conclusões e recomendações.
“Trabalharemos em estreito contato com os institutos e as congregações para enfrentar as necessidades das vítimas e seu processo de cura”, assinalaram os bispos da Permanente.
“Pedimos desculpas àqueles que foram tão cruelmente maltratados durante sua infância” em escolas, reformatórios e em centros dirigidos pela Igreja, assinala o comunicado.
Os bispos também mostraram sua vontade de “continuar promovendo um clima seguro, eficaz e responsável para os menores, em colaboração com a sala nacional para a proteção das crianças na Igreja Católica e com todos os organismos legais pertinentes”.
Em 2002, fechou-se um acordo com o governo irlandês, pondo um limite às contribuições das ordens religiosas ao fundo dedicado às vítimas dos abusos: 128 milhões de euros.
Na realidade, calcula-se que as indenizações ascenderam a mais de um bilhão de euros, quase em sua totalidade pagos pelo Estado a cerca de 12.500 das mais de 14.500 vítimas.
As compensações variam entre 65 mil e 300 mil euros, segundo a gravidade dos casos.
O arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, qualificou como “chocante”, no jornal Irish Times, o fato de que, sete anos depois do acordo, as 18 ordens religiosas envolvidas no escândalo ainda não haviam contribuído com sua parte, alegando problemas legais.
“Não podemos deixar as coisas como estão – declarou. Há muitas maneiras de dar apoio financeiro aos sobreviventes e às suas famílias, um modo de resgatar vossa imagem de educadores dos pobres.”
Após seu pedido, a ordem irlandesa dos Irmãos Cristãos aceitou revisar as indenizações.
















