ZP09062206 - 22-06-2009
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Evangelizar Venezuela, segundo presidente da Conferência Episcopal (II)


Entrevista com Dom Ubaldo Santana, presidente da Conferência Episcopal Venezuelana


Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 22 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Os bispos da Conferência Episcopal Venezuelana voltam ao seu país após dois dias de trabalho intenso durante a visita ad limina apostolorum (ao Papa e a seus colaboradores da Cúria Romana), na qual Bento XVI lhes falou dos desafios que têm de enfrentar.

Zenit conversou com o presidente da Conferência Episcopal Venezuelana e arcebispo de Maracaibo, Dom Ubaldo Santana Sequera FMI, sobre os frutos desta visita e os frutos do Concílio Plenário que se realizou em seu país.

A primeira parte desta entrevista foi publicada por Zenit na sexta-feira, 19 de junho.

--Comecemos falando da audiência que tiveram na semana passada com Sua Santidade Bento XVI. Que frutos o senhor acha que esta visita pode trazer para o episcopado e para a Igreja na Venezuela?

--Dom Ubaldo Santana: Voltamos, confirmados na fé, a um ambiente de muito confronto: a Venezuela. Temos mais serenidade, porque aqui tivemos tempo para a oração, celebramos várias Eucaristias todos juntos e temos um novo olhar. Em cada encontro na Santa Sé, escolhemos um porta-voz diferente: um bispo que pertencesse a uma comissão episcopal, a mais próxima possível do dicastério vaticano que visitávamos. Isso nos permitiu ter um panorama da Igreja, mas não a partir da perspectiva do presidente da Conferência Episcopal, e sim do conjunto colegial do episcopado venezuelano. O que sentimos é que não estamos muito próximos uns dos outros. Sem dúvida, precisamos nos identificar e nos apoiar mais, mas percebemos que avançamos bastante nisso.

Temos, na volta, muitos elementos para fortalecer nossa Conferência Episcopal e para tornar grande este organismo colegial, que é tão importante para o serviço das nossas igrejas. Cada um de nós leva um grande tesouro a cada uma das suas igrejas. Isso foi como um tesouro compartilhado aqui e tenho certeza de que, respeitando particularidades e ressonâncias, haverá concordância nos corações. Isto significa unir nossos corações. Como diz o prefácio da missa, “Corações ao alto! O nosso coração está em Deus!”. Aqui nos encontramos e aprendemos a olhar mais para Pedro e para Cristo.

--Quase uma década depois do início do Concílio Plenário na Venezuela, quais são os frutos que este evento deu para a Igreja em seu país?

-- Dom Ubaldo Santana: Foi um novo pentecostes para a Venezuela. Este Concílio nos deu, pela primeira vez, a oportunidade de nos sentarmos juntos. Nós não o havíamos feito desta forma. Estivemos durante quase 6 anos sentando-nos juntos os representantes de todas as circunscrições eclesiásticas uma ou duas vezes por ano, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos. Formamos uma grande comunidade de fé, que proclamava a Palavra, celebrava-a e a compartilhava. Pudemos viver na Venezuela o que era a primeira comunidade de Jerusalém, descrita nos Atos dos Apóstolos, com todas as suas dificuldades, mas sentimos que aquilo não era uma descrição teórica e que era possível vivê-la. Compartilhar o ensinamento dos apóstolos, compartilhar o pão juntos, compartilhar nossos sonhos e nossa fé, viver em fraternidade: o Concílio Plenário foi isso.

--Como as conclusões serviram para o trabalho pastoral que se desempenha em seu país?

 

-- Dom Ubaldo Santana: Como resultado, redigimos 16 documentos que abordam todos os grandes desafios da Igreja na Venezuela, entre eles: uma proclamação profética do Evangelho de Jesus; uma proclamação mais incisiva; uma entrega mais audaz da Palavra de Deus ao povo; um despertar missionário, de todos os níveis e sujeitos da Igreja; a família. O trabalho com a família é praticamente catecumenal, aceitando acompanhar as realidades, as expressões da família tal como elas são, e levá-las progressivamente até o que poderia ser a melhor expressão da família. Há documentos que nos serviram de visão.

Descrevemos uma Igreja de comunhão e solidariedade, capaz de estar presente em todos os níveis onde acontecem as relações humanas, desde a família, as comunidades, realidades locais, paróquias. Pensamos em encontros nacionais para recuperar esta beleza de termos nos sentado juntos e compartilhado sobre como estamos vivendo o Concílio. Vimos que a Igreja tem necessidade de tomar consciência de quem é.

Depois vieram todos os documentos, que continham compromissos em matéria muito determinada: educação, jovens, ministérios ordenados de bispos, sacerdotes diáconos, nossos seminários, leigos, vida consagrada, catequese, meios de comunicação social, a Igreja e sua relação com as outras confissões cristãs, a relação da Igreja com a cultura.

Tudo isso constitui para nós um imenso trabalho para os próximos 20 anos. Agora, o que procuramos é que sejam criados os organismos para a formação dos leigos. Aparecida nos ajudou também, pois só os discípulos e missionários de Cristo amadurecem em sua fé e podem ser seus transmissores. Nosso catolicismo corre o risco de ficar fora da história e das exigências dos tempos.

--Maracaibo foi o lugar escolhido no ano passado, em Quito, para ser sede do Congresso Americano Missionário de 2012. Como estão se preparando para este evento?

 

-- Dom Ubaldo Santana: Com muita esperança. Este congresso, junto com a missão continental, com Aparecida e com o Concílio Plenário, transforma-se para nós em um imenso dom de Deus para crescer na vocação missionária das nossas igrejas. Por isso, em Maracaibo, estamos levando a cabo um projeto pastoral que recolhe e sintetiza essas vocações e chamados do Senhor. Queremos estar prontos para receber a América, para ajudar a que todos nós vivamos uma grande sacudida do Espírito Santo e possamos renovar com maior consciência e alegria nossa vocação missionária. Esperemos estar maduros para sair das nossas fronteiras e enviar missionários leigos a outras partes do mundo que estão esperando o anúncio de Cristo.


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