ZP09072007 - 20-07-2009
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Renovado interesse pela arqueologia sacra no Vaticano


Introduzida a figura do superintendente arqueológico


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 20 de julho de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI nomeou nesse sábado o novo secretário da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra. Trata-se de Dom Giovanni Carru, até agora subsecretário da Congregação para o Clero.

Ao mesmo tempo, o Papa nomeou o secretário Fabrizio Bisconti, que até agora era secretário do Conselho Pontifício de Arqueologia Sacra, superintendente arqueológico das catacumbas, uma nova figura até agora não prevista no organograma.

Em uma entrevista publicada neste domingo na edição em língua italiana de L’Osservatore Romano, o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o arcebispo Gianfranco Ravasi, declarou que, após esta mudança, encontra-se a intenção de dar à Comissão “a função de uma estrutura geral similar à dos demais organismos vaticanos”.

“Dom Carru tem uma longa experiência na Cúria Romana, especialmente em uma congregação importante como a do Clero”, explicou. 

“Chega para consolidar no interior da comissão todas aquelas características gerais de gestão e funcionais necessárias para que a fisionomia da comissão se pareça o mais possível com a de um organismo vaticano”, acrescentou. 

“Isso levou também à necessidade de introduzir a nova figura do superintendente arqueológico”, indicou Dom Ravasi. 

A pessoa que ocupa esse cargo “assumirá a responsabilidade de oferecer ao presidente e ao secretário todo o apoio científico necessário, tendo em conta o alcance da investigação e a complexidade”.

Trata-se, em essência, “de um verdadeiro assessor permanente”, de “uma tarefa de importância confiada a um estudioso de grande experiência” como Fabrizio Bisconti.

Bisconti, “no setor do conhecimento das catacumbas é seguramente, no âmbito internacional, uma figura de indiscutível importância”, assegurou. 

“A nomeação de Bisconti é também o reconhecimento, não só a sua competência, mas também da equipe com a qual trabalhou nestes anos – prosseguiu. Um trabalho preciosíssimo que conseguiu, nos últimos anos, grandes resultados”.

Neste sentido, o prelado citou o descobrimento, nas catacumbas de Santa Tecla sobre a Via Ostiense, em 19 de junho passado, do ícone mais antigo de São Paulo, durante alguns trabalhos de restauração coordenados pela Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra. 

O arcebispo Ravasi também recordou a restauração do hipogeo de Via Dino Compagni, que incluiu cerca de cem pinturas em dez anos de trabalho, enquanto se está tentando recuperar o museu de Prestestato, que custodia mais de mil sarcófagos. 

A atividade da Comissão é muito ampla: está escavando nas catacumbas de Santa Inês, nas de São Sebastião e nas de Pedro e Marcelino – que se converterão em um polo de grande atração cultural, turística e religiosa – e, na superfície, na grande basílica em forma de circo na catacumba em que foi depositado o Papa Marco, falecido no ano 336. 

E não só se limita a Roma. “Das catacumbas de Carini na Sicilia, estão emergindo clamorosas pinturas e esperamos grandes descobrimentos”, assinalou. 

“Também se reiniciará a escavação das pequenas catacumbas da ilha de Pianosa, onde não excluímos encontrar surpresas”, destacou. 

“De acordo com a diocese local, pois, estamos reabrindo as catacumbas de São Genaro em Nápoles e a de São João em Siracusa”, acrescentou. 

Como última atividade destacável da Comissão, assinalou “o censo informatizado de todos os milhares de objetos encontrados nas catacumbas da Itália”. 

A Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra foi instituída por Pio IX “para custodiar os sacros cemitérios antigos”, assim como para  a conservação, a ulterior exploração, a investigação, o estudo e a tutela das lembranças mais antigas “dos primeiros séculos cristãos, os monumentos insignes” e as Basílicas de Roma e de outras dioceses de acordo com os respectivos bispos. 

Esta Comissão foi criada por sugestão de um arqueólogo romano, Giovanni Battista de Rossi, para organizar melhor a escavação, a restauração e a tutela do grande complexo de catacumbas na Via Appia. 

Os especialistas sentaram as bases científicas da arqueologia cristã, estudando e escavando as catacumbas romanas segundo um moderno método topográfico que leva em consideração simultaneamente as fontes históricas e os monumentos. 

Em 1925, a Comissão foi declarada Pontifícia por Pio XI. Os Pactos de Latrão ampliaram suas competências e seu âmbito de ação e de estudo a todas as catacumbas existentes em território italiano. 

Nos lugares confiados à Comissão Pontifícia, não pode ser modificado nada sem sua permissão. 

A Comissão dirige todos os trabalhos que se desenvolvem ali, publica seus resultados, estabelece as normas para o acesso do público e dos estudiosos aos cemitérios sacros e indica quais criptas podem ser utilizadas para a liturgia e com que precauções. 


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