ZP09082402 - 24-08-2009
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Só gerenciamento moderno não garante justiça, diz arcebispo


D. Walmor de Azevedo reforça convite a participar da Campanha Ficha Limpa


BELO HORIZONTE, segunda-feira, 24 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Apenas técnicas de gerenciamento moderno não asseguram a construção de uma sociedade justa e voltada para o bem comum, considera o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil).

Dom Walmor Oliveira de Azevedo –em artigo enviado a Zenit na sexta-feira, faz um novo apelo em favor da ética nos âmbitos social, político e econômico, e convoca os cidadãos a participar da Campanha Ficha Limpa.

Além das técnicas gerenciais –afirma o arcebispo, “é sempre urgente o esforço cotidiano por balizamentos éticos que supervisionem funcionamentos e se constituam como o tecido da consciência”.

Dom Walmor considera que os empenhos de movimentos pela ética “não têm sido suficientes para mudar o cenário que se revela na panacéia de desmandos, manipulações, improbidades e tantos prejuízos”.

Fenômenos que desfilam “diariamente” diante dos olhos de todos, “fontes de comprometimentos da cidadania e do sentido da dignidade humana”. O prelado enfatiza que “é preciso retomar, de novo, um grande empenho pela ética”.

“É triste assistir a corrosão de instituições que devem primar pela probidade, e o crescimento de procedimentos mentirosos, em pequena e grande escala, na corporação de grupos ou partidos, na manipulação de instituições ou no comportamento moral de indivíduos.”

Nesse sentido, como instrumento normativo regulador, o arcebispo aponta a Campanha Ficha Limpa, projeto de lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos.

Para ser encaminhado ao Congresso, o projeto, que quer impedir que políticos condenados por crimes graves se candidatem, precisa de 1.309.508 assinaturas de eleitores, ou seja, 1% do eleitorado brasileiro.

“Importante é que por este meio, como necessário se faz por outros, se está colocando em discussão a desqualificação ética que grassa na sociedade brasileira exigindo procedimentos e posturas arrojadas nessa direção”, explica.

Dom Walmor recorda que “é incontestável a evidente demonstração de que o dever central da política está comprometido”.

“A justa ordem da sociedade e do Estado está prejudicada por um exercício inadequado e incompetente da política - que é, pois, um exercício de alta responsabilidade para regular o funcionamento do Estado segundo a justiça, para não correr o risco de reduzir-se, lembra o Papa Bento XVI, na sua Carta Encíclica ‘Deus é amor’, n. 28, citando Santo Agostinho em De Civitate Dei, IV,4, a uma banda de ladrões.”

Nesta reta final da Campanha, o arcebispo convida a redobrar os esforços. “A lentidão para se alcançar a cifra exigida revela alguma apatia a ser quebrada para devolver à consciência cidadã seu sentido exato e o alcance dos compromissos para vivê-la”, afirma.

Mais informações sobre a Campanha em: http://www.mcce.org.br


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