LISBOA, quinta-feira, 3 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Ao assinalar uma série de orientações para a estruturação de Gabinetes de Imprensa nas instituições da Igreja Católica, o secretário da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), deixa uma dica: não esperar pelas condições ideais, mas iniciar este trabalho de comunicação.
O Pe. Manuel Morujão considera que “viver de portas fechadas é uma atitude anti‑eclesial. Sair do Templo, comunicar com o mundo é fundamental para praticar a boa nova de Jesus”.
“A Igreja não é um apartheid religioso, de costas voltadas para um mundo perigoso e adverso. É sinal de salvação, de paz e bem, para todos”, afirma o secretário da CEP, em um dossier publicado ontem por Agência Ecclesia.
Pe. Morujão acredita que não basta se queixar quando os meios de comunicação apresentam a vida e ação da Igreja com “distorções da realidade, falsas interpretações, relevo dado a coisas negativas”, quando “há tantas boas notícias sobre a Igreja que podiam ser postas em destaque”.
Fazer simplesmente um diagnóstico, prossegue o secretário, “por mais real e objetivo que seja, não cura um doente. É preciso passar à “aplicação dos remédios convenientes”, sendo um deles a estruturação de Gabinetes de Imprensa, dos quais ele assinala algumas funções.
Trata-se de “pontes, com trânsito nos dois sentidos, entre as diversas instituições da Igreja e sobretudo com o mundo que as rodeia” que, primeiramente, fomentam “uma relação, aberta e cordial, com os diversos meios de comunicação social”.
“Estes são multiplicadores, sem fronteiras, de boas ou más notícias, objetivas ou tendenciosas. Cabe‑nos proporcionar a informação correta. As boas relações e a cordialidade que devemos cultivar não são um presente que se reserva para quem pensa como nós. Quem mais precisa de receber este presente gratuito são os que discordam de nós ou até combatem a Igreja”, afirma.
Pe. Morujão indica, em seguida, ter um porta‑voz com “fidelidade criativa”, que assume “como própria a opinião de quem representa” e esteja “disponível para responder às perguntas dos jornalistas e que toma a iniciativa de passar informações ou comunicados”.
O secretário da CEP assinala também “facilitar a criação de opinião pública favorável à Igreja em geral e à concreta instituição que representa”, por meio de um “marketing sério, regido pela verdade”.
Outra função do Gabinete é “organizar um serviço de recorte da imprensa («clipping»), recorrendo a uma firma especializada, ou por meio de um assessor que faz uma consulta das publicações”, pois “ter a imagem do que dizem da Igreja ajuda‑nos a intervir tempestivamente, oferecendo oportuna informação”.
Pe. Murujão lembra ainda que “um Gabinete de Imprensa não deve ser formado por uma só pessoa, por mais competente que seja”. “Só assim se poderá estar atento a diversas sensibilidades e mundividências. Deverá integrar alguém com formação específica em comunicação social”, e “um simples Manual de Funções ajudará a todos: o quê compete a quem?”.
Ao recordar que se vive um tempo de “comunicação global e instantânea”, o secretário adverte que “um Gabinete de Imprensa exige uma certa rapidez ou urgência em dar as notícias, em propor opiniões que oferecem critérios de leitura dos acontecimentos, em apresentar pareceres de peritos”. “As notícias servem‑se a quente”, afirma.
Pe. Morujão indica ainda organizar “ficheiros competentes”, “com especialistas em diversos ramos do saber, a quem possamos solicitar colaborações; instituições similares que são fontes de informação; agenda de acontecimentos”.
Uma “última observação” que o secretário da CEP faz é “não esperar por ter todas as condições ideais para iniciar um Gabinete de Imprensa”. “O caminho faz‑se caminhando. Começar com o que for possível, embora faltem diversos meios técnicos e uma equipe estável e completa”, afirma.
Experiências
Alguns responsáveis diocesanos nesse campo dos departamentos de comunicação e assessoria de imprensa em Portugal partilharam com Agência Ecclesia a experiência do trabalho realizado.
Felisberto Figueiredo, do Gabinete de Viseu, destacou que um aspecto que se pretende valorizar é “a relação de proximidade com a comunicação social local e regional, facilitando-lhe o entendimento da realidade diocesana e eclesial, que nem sempre lhes é de fácil e cabal entendimento”.
Do Departamento da Comunicação Social da Arquidiocese de Évora, Pedro Conceição assinalou o esforço de “ser o ponto de chegada e de partida de todas as informações de relevo sobre a Arquidiocese”.
No Algarve, um departamento, o «GIDAlg», surgiu com “a missão muito clara de recolher, tratar e divulgar toda a informação relacionada com a vida e ação da Igreja do Algarve”.
A criação de um Gabinete de Imprensa em Lamego está ainda em fase de projeto. Para o Pe. José Alfredo Patrício, “a história recente da Igreja mostra, ainda, a necessidade de ter Gabinetes de Imprensa eficazes e disponíveis para auxiliar os jornalistas na sua missão de informar, e é isso que se procurará fazer também na Diocese”.
















