Por Carmen Elena Villa
ROMA, sexta-feira, 18 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Há 39 anos – no dia 16 de setembro –, o Pe. Andrés Fernández Pinzón visitou pela primeira vez uma prisão. Ao entrar, disse: “É aqui que eu trabalharei”.
E anteontem, também 16 de setembro, este sacerdote colombiano recebeu em Roma o prêmio Van Thuan, pelo trabalho que realiza com os presos e deportados e com suas famílias na cidade de Bogotá.
Em uma cerimônia presidida pelo cardeal Renato R. Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz,o sacerdote foi galardoado junto com outras três fundações provenientes da Itália, Tailândia e França. Também o grão-duque Henri de Luxemburgo recebeu este reconhecimento.
O prêmio Van Thuan é outorgado pela Fundação São Mateus, cuja sede se encontra no escritório do Conselho Pontifício Justiça e Paz, na Cidade do Vaticano. Ela procura propor iniciativas que coloquem em prática os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja e seu humanismo integral e social.
“É uma graça muito grande de Deus este prêmio, em meio a todos os projetos que existem no mundo”, assegurou o sacerdote em diálogo com Zenit.
Um carisma entre os presos
O sacerdote conta que ainda não entende por que lhe chama tanto a atenção o trabalho com presos: “Quando se está no seminário, ninguém sonha com ser capelão de uma cadeia”.
No entanto, cada vez que se pergunta sobre o porquê deste carisma, só pode responder: “Porque Deus quer isso”.
Assim, o sacerdote criou, em 1997, a fundação “Caminhos de liberdade”: “Começamos a sonhar para construir um centro pastoral que acompanhasse as famílias”, recorda.
Um coração que procura ser reconciliado
O presbítero ilustra a situação das famílias dos presos e dos deportados: “Quando eles viajam para visitar seus familiares presos, muitas vezes não têm aonde ir e dormem na rua”.
“Os presos estrangeiros, ao ficarem em liberdade, não podem trabalhar nem sair do país. Ou seja, continuam nas ruas ou cometem outro delito para que os arrestem novamente. Assim, pelo menos, têm comida e teto gratuitos”, confessou o presbítero.
“Estamos construindo um lar de passagem para as famílias. Que possam ter um quarto com duas camas decentes e um banheiro”, assegura o Pe. Fernández.
Assim, os familiares dos presos se encontrarão em um ambiente cálido, graças ao trabalho de vários profissionais voluntários. Chegarão a um albergue que contará, além disso, com capela, salas, laboratórios de trabalho e consultórios psicológicos.
“Cada interno é um drama – confessa o sacerdote. Vemos muito de perto a angústia de quem quer chegar à liberdade, da espera por parte de uma família, de situações profundamente humanas. Jesus é profundamente humano.”
O presbítero compartilhou também algumas desilusões das que foi testemunha: “Muitos deles pensavam que tinham muitos amigos. Ao chegar à prisão, descobrem que não eram tantos assim”.
O trabalho com os presos não é nada fácil. A muitos assusta a ideia de dialogar e acompanhar aqueles que foram autores dos piores delitos. Geralmente, suas famílias são etiquetas pela vida inteira. Não obstante, o Pe. Fernández transcende estes temores humanos: “O único que conhece os corações é Deus. O juiz já julgou. Por isso, vejo que devo servir Jesus na pessoa dos internos. Cada um deles é um filho de Deus”.
“Somos canais da Misericórdia Divina. Todo homem, por pior que seja, tem em seu coração uma fibra de bondade que devemos fazer que soe. Devemos fazer que descubram Deus em meio à dor e ao caminho da reconciliação”, afirma.
O prêmio Van Thuan foi outorgado à fundação no valor de 15 mil euros, para este albergue no qual os familiares dos presos poderão “descobrir a dignidade do homem, porque é um filho de Deus que merece respeito”.
“Ainda que os internos tenham caído no mais profundo, queremos que se encontrem com a misericórdia de Deus, que é infinita”, conclui o Pe. Fernández.
















