ZP09100818 - 08-10-2009
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Bento XVI: é necessário construir juntos a verdadeira civilização


Ao término de um concerto pelos 70 anos do início da 2ª Guerra Mundial


Por Roberta Sciamplicotti

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- A lembrança do último conflito mundial deve ser uma verdadeira advertência e um estímulo para construirmos juntos uma verdadeira civilização, não fundada sobre a violência, mas sobre a colaboração dos crentes das diversas religiões.

Assim afirmou Bento XVI nesta quinta-feira, ao término do concerto "Youth against war concert - 70 anos do começo da 2ª Guerra Mundial: jovens contra a guerra", realizado no Auditório da Via da Conciliação, em Roma.

Presentes no acontecimento, além do presidente da república italiana, Giorgio Napolitano, participaram também os membros da 2ª Assembleia Especial para a África, do Sínodo dos Bispos.

A orquestra alemã InterRegionales JugendsinfonieOrchester, composta por jovens procedentes de 15 países e dirigida por Jochem Hochstenbach e Wolfgang Gönnenwein, interpretou músicas de Gustav Mahler e Félix Mendelssohn-Bartholdy, dois compositores de origem judaica que se tornaram cristãos (o primeiro, católico e o segundo, protestante).

Participaram também o ator Klaus Maria Brandauer, como voz recitadora, e a meio-soprano Michelle Breedt.

Após a apresentação do cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o Papa tomou a palavra para agradecer e refletir sobre o significado desta efeméride.

"Esta noite traz à nossa memória a tragédia da 2ª Guerra Mundial - afirmou -, dolorosa página da história marcada pela violência e pela inumanidade, que causou a morte de milhões de pessoas, deixando os vencedores divididos e uma Europa por reconstruir."

"A guerra, querida pelo nacional-socialismo, afetou muitas populações inocentes da Europa e de outros continentes, enquanto o drama da Shoá feriu sobretudo o povo judeu, objeto de um extermínio programado", acrescentou.

"E no entanto, não faltaram os convites à razão e à paz, elevados de muitas partes", observou o Papa, recordando o apelo de Pio XII na rádio-mensagem do dia 24 de agosto de 1939 - precisamente na iminência do começo da guerra - proclamado com decisão: "Nada se perde com a paz, tudo pode ser perdido com a guerra!".

"Recordar aqueles tristes acontecimentos deve ser uma advertência, sobretudo para as novas gerações, a não ceder jamais à tentação da guerra", desejou.

Refletindo também sobre o fato de que neste ano se comemoram também os 20 anos da queda do Muro de Berlim, o pontífice sublinhou que "a Europa e o mundo inteiro têm sede de liberdade e de paz".

"É necessário que construamos juntos a verdadeira civilização, que não se baseie mais na força, mas que, pelo contrário, seja fruto da vitória sobre nós mesmos sobre a injustiça, o egoísmo e o ódio, que podem chegar a desfigurar o homem", exclamou.

Desse ponto de vista, concluiu, "o movimento ecumênico, que encontrou na 2ª Guerra Mundial um catalisador, pode contribuir para construir a paz, trabalhando com os judeus e com todos os crentes".

O concerto foi organizado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo, apoiados pela Embaixada da Alemanha na Santa Sé e pela Europäisches KulturForum de Mainau, com o patrocínio do Comitê Judaico Internacional para as Consultas Inter-Religiosas.


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