Por María de la Torre
WASHINGTON, segunda-feira, 19 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- O Sínodo da Palavra, que se celebrou há um ano, está causando impacto nos EUA, como constatou o congresso “Caminho de Emaús”, celebrado em julho por iniciativa da Sociedade Bíblica Norte-americana e do Centro Cushwa para o estudo do catolicismo nos EUA.
Mario Paredes, representante da Sociedade Bíblica Norte-americana para o ministério católico, fez um balanço com ZENIT destes dois eventos de que participou. Ele destaca que a presença dos católicos de procedência hispânica nos EUA é cada vez mais influente.
–Como poderia descrever os ministérios hispânicos hoje?
–Mario Paredes: A beleza do ministério hispânico, nos EUA, tem a ver com os valores evangélicos. O ministério hispânico é chegar a um povo que vibra com a solidariedade, um povo que tem uma grande esperança, um povo que luta para vencer os grandes obstáculos materiais, a pobreza, a escassa educação, a falta de moradia, o problema migratório, a falta de documentos para ser reconhecido legalmente na sociedade. É o tipo de problema que temos na sociedade e o povo hispânico certamente está marcando uma pauta de vivência evangélica.
–Que impacto teve a visita do Papa aos EUA, do ponto de vista dos hispânicos?
–Mario Paredes: O povo hispânico, latino-americano, tem um grande amor pela pessoa do Santo Padre e seu ministério de ser o pastor universal da Igreja. A metade dos presentes nos estádios de Washington e Nova York durante sua visita eram hispânicos. O amor, a adesão ao magistério de Pedro é muito grande em nossa cultura hispânica e isso fortaleceu a fé de nosso povo. O Santo Padre veio para nos confirmar na fé, nos impulsionar e nos deu uma mensagem em espanhol, querendo-nos dizer que a Igreja nos EUA também tem um rosto hispânico.
–O Papa apresentou os EUA como modelo de laicidade e de convivência entre religiões. Uma lição para a Europa?
–Mario Paredes: Os EUA são uma sociedade muito jovem. Trata-se de um país que tem uma história de pouco mais de 230 anos, onde há um mosaico de raças, línguas, culturas... Por esse motivo, nestes anos amadureceu e cresceu no respeito, no conhecimento dos outros e na aceitação dos outros. Foi um processo doloroso, às vezes vergonhoso pelo racismo, a discriminação ou o desprezo. No entanto, a sociedade norte-americana amadureceu. Prova disso é a eleição de Obama, ou a nomeação de uma juíza de origem hispânica para a Suprema Corte norte-americana. Esses são sinais e símbolos de que a sociedade está-se integrando e aceitando a realidade de que podemos ser um, respeitando a diversidade.
–Que lhe surpreendeu do congresso “Caminho de Emaús”?
–Mario Paredes: Foi ver o amor, a devoção que o povo hispânico católico tem pelas Sagradas Escrituras. Constatei como veem nas Sagradas Escrituras em encontro pessoa com Jesus. Outro elemento a participação da hierarquia da Igreja, dos bispos e cardeais, além de teólogos, especialistas, o que deu um sentido de Igreja.
–Como representante da Sociedade Bíblica Norte-americana, instituição que em sua origem se compunha por filhos da Reforma protestante, que impressão fica deste congresso?
–Mario Paredes: Alegra-me muito que a Igreja Católica permitiu estabelecer uma proximidade com a obra e o trabalho da Sociedade Bíblica Norte-americana, instituição histórica de quase 200 anos e que tem o mandato de servir a todas as comunidades cristãs dos EUA. Para a Sociedade Bíblica, que represento, é uma grande oportunidade de serviço e de confirmar que nosso ministério bíblico é essencial para as comunidades cristãs sejam católicas ou protestantes.
Esta experiência que realizamos indica que devemos seguir aprofundando em escutar as Sagradas Escrituras com a liderança hispânica católica deste país. Isso nos mostrou amplamente a necessidade que a Igreja tem de pôr à disposição de sua liderança instrumentos para que o povo de Deus chegue a conhecer a pessoa de Cristo.
















