LONDRES, segunda-feira, 19 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Cerca de trezentos mil peregrinos visitaram as relíquias de Santa Teresinha de Lisieux durante sua viagem de 28 dias pela Inglaterra e Gales, que finalizou na sexta-feira passada.
Estes dias foram um “tempo de conversão”, que incluiu “maravilhosas expressões de fé e de amor”, assinalou o arcebispo de Westminster, Dom Vincent Nichols, em uma Missa de despedida celebrada na quinta-feira na catedral de Westminster.
“Esta efusão de fé desconcertou muita gente”, disse, e “os comentaristas seculares não foram capazes de dar-lhe sentido”.
“Muita gente” encontrou “alento, perseverança e esperança através do exemplo e das orações à mais notável das jovens mulheres”, afirmou o arcebispo.
Para muitas pessoas, acrescentou o prelado, estes dias “foram um tempo de voltar a apreciar o valor das relíquias como antiga expressão de nossa fé na presença transformadora de Deus em meio a nossas faltas humanas”.
O arcebispo perguntou: “para onde vamos daqui? O que aprendemos de Teresa para nossa missão de hoje?”.
“Em nossos esforços missionários precisamos ser claros e razoáveis em tudo que dizemos e fazemos”, respondeu.
E acrescentou: “Precisamos entender cuidadosamente as circunstâncias de nossos dias e estar bem inteirados dos assuntos contemporâneos”.
O amor, chave da missão
O arcebispo Nichols destacou que para Santa Teresa a chave da missão era o amor. E citou algumas palavras da patrona das missões:
“Finalmente entendi que o amor compreende todas as vocações, que o amor era tudo, que envolve todos os tempos e todos os lugares (...), em uma palavra, que é Eterno”, disse a santa.
E também: “Minha vocação é o amor (...). Sim, encontrei meu lugar na Igreja (...). No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor”.
O prelado afirmou que estas palavras foram escritas pela santa cinco meses antes de sua morte, “em um momento de dor angustiosa e de sofrimento”.
O arcebispo destacou a relevância destas palavras quando “como sociedade lutamos por entender e responder a experiência da enfermidade terminal e da proximidade da morte”.
Esses momentos, destacou, parecem “inúteis” para algumas pessoas que “buscam o direito a exercer a única solução que existe dentro de seu próprio poder: a de matar a si mesmo e dar a outros a liberdade de auxiliá-los para fazê-lo”.
Dor e inutilidade
O arcebispo Nichols afirmou que a santa “viveu esses mesmos momentos”, também experimentando “pensamentos suicidas de acabar com o sofrimento, e uma sensação de inutilidade”.
E continuou: “ela advertiu à irmã que lhe cuidava que quando tivesse pacientes que fossem “presos de violentas dores”, não devia “deixar-lhes nenhum medicamento que fosse venenoso”.
E ela acrescentou: “te asseguro que só se precisa um segundo quando se sofre intensamente para perder a razão; então, envenena-se facilmente”.
O prelado afirmou que apesar desta tensão, Santa Teresa “argumenta, como nós o fazemos hoje, que a razão, no contexto de nossas relações, deve reconhecer a vida com um dom e não como uma posse individual, e, ao mesmo tempo, abraçar a morte quando chegar”.
O arcebispo destacou que “vivemos em um tempo no qual a afetividade e o amor a si mesmo parecem ser comercializados e as relações humanas sujeitas a cálculos de perdas e lucros, e usadas em consequência”.
A santa nos convida a colocar em prática o “amor em toda relação humana” e a levar a cabo esta missão “em toda ação, em todo momento”, assinalou o arcebispo.
Para que esta missão dê frutos, afirmou o prelado, devemos viver perto de Deus, “devemos habitar n'Ele, permanecer como parte d'Ele, ser com Ele uma só vinha”.
Na sexta-feira, as relíquias da santa partiram da Inglaterra de volta a Lisieux, através do túnel do Canal da Mancha, caminho pelo qual chegaram ao Reino Unido em meados de setembro passado.
















