Por Edward Pentin
ROMA, quarta-feira, 21 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Uma conferência que reuniu em Roma líderes mundiais na luta contra a Aids destacou a urgente necessidade de aumentar a prevenção da transmissão desta enfermidade de mãe para filho.
Também conseguiu unir a Igreja e a administração Obama em uma colaboração, potencialmente muito eficaz e frutífera, para salvar vidas de milhões de crianças.
A conferência, de três dias, estava co-organizada por Cáritas Internacional – uma confederação de 162 organizações humanitárias da Igreja – e a embaixada dos Estados Unidos na Santa Sé. O encontro, que acabou na sexta-feira, também apontou a melhorar o acesso às provas e ao tratamento para as crianças que vivem com o HIV e com infecção de HIV/tuberculose.
A conferência reuniu os principais especialistas neste campo, inclusive missionários, trabalhadores do meio da saúde e o diretor executivo de ONUSIDA. Também participaram representantes de Organizações Não Governamentais, o presidente do Plano de Emergência para o alívio da Aids PEPFAR, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e empresas farmacêuticas.
Cada ano, cerca de 370 mil crianças menores de 15 anos contraem o HIV, a maioria através da transmissão mãe e filho. Cerca de 90% dessas infecções se produzem na África, onde até 800 crianças morrem a cada dia por causa dessa enfermidade. As crianças se infectam durante a gravidez de sua mãe, no parto ou durante a lactância.
“O mundo abandonou estas crianças porque, ainda que haja medidas baratas e efetivas para prevenir a transmissão do HIV aos não nascidos e às crianças, a maioria das mulheres que contraíram o vírus da Aids não sabe delas ou não tem acesso a elas”, explicou a secretária geral da Cáritas Internacional, Lesley-Anne Knight, em seu discurso de abertura.
Knight acrescentou que não se estão dedicando suficientes esforços para diagnosticar seu estado nem se estão aplicando tratamentos adequados apropriados para crianças infectadas pelo HIV, 50% das quais morre antes de completar os dois anos.
Por esta razão, Cáritas Internacional lançou a campanha HAART para Crianças no início deste ano. A iniciativa chama os fabricantes de produtos farmacêuticos e de diagnóstico, os governos e as instituições acadêmicas e de pesquisa a desenvolver e prover melhores medicamentos e testes para crianças, que possam ser usados em áreas de baixa renda e rurais.
O medicamento da justiça social
O diretor executivo de ONUSIDA, Michel Sidibe, argumentou que o acesso universal aos medicamentos e aos recursos é principalmente uma questão de justiça social. “Trata-se também de abordar as causas subjacentes da desigualdade, construindo um sistema de entrega que seja menos custoso mas que chegue à maioria daquelas pessoas que, lamentavelmente, não têm voz”, explicou. Citando Martin Luther King, Sidibe destacou que “quando o mundo se preocupa o suficiente, os recursos podem ser encontrados”.
A Igreja tem uma função maior na ampliação desta prevenção totalmente a seu alcance, afirmaram os palestrantes. Já está desempenhando a grande escala com um exército de dedicados voluntários que trabalham neste âmbito, e é responsável por 30% a 70% da assistência em vários países em vias de desenvolvimento, afirmou o doutor Carl Stecker, assessor técnico para o HIV/Aids em Serviços Católicos de Auxílio.
O embaixador dos Estados Unidos na Santa Sé, Miguel H. Díaz, acolheu com beneplácito o que ele considera um verdadeiro potencial para a colaboração entre a administração Obama e a Igreja neste tema. “Esse é um exemplo concreto de ir juntos, para centrar-se no cuidado das crianças, e por isso estamos nos centrando na prevenção e no tratamento das crianças e das mães por uma causa comum”, disse a ZENIT.
Relações de colaboração
Desde que o PEPFAR foi estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos George W. Bush, em 2003, métodos efetivos de prevenção da transmissão de mãe para filho aumentaram significativamente em todo o mundo, segundo Deborah Birx, diretora do Programa Global sida, do governo federal. O presidente Obama destinou mais de 65 bilhões de dólares a combater a Aids, a turberculose e a malária acima dos seis anos.
O doutor Antonio Gerbase, do departamento de HIV da OMS, revelou que a prioridade da OMS para 2010 e 2011 será o tratamento de mulheres e crianças e a prevenção da transmissão do HIV/Aids de mãe para filho.
Centrando-se na prevenção antes da infecção, outro participante pediu uma maior ênfase na educação, semeando valores cristãos, e na necessidade de destacar em que o tráfico de pessoas e o ter relações sexuais com várias pessoas é uma “causa enorme” da propagação do HIV.
Representantes das empresas farmacêuticas GlaxoSmithKline, Abbott Laboratories e Eli Lilly and Company ofereceram apresentações sobre seus progressos na produção de melhores testes e medicamentos sobre a Aids e sobre como o estão fazendo gratuitamente ou sem fins lucrativos para os países pobres do mundo. Mas os participantes na conferência destacaram que com muita frequência os medicamentos são inadequados para crianças e não têm fórmulas e doses adequadas.
O embaixador Díaz chegou a dizer que se uma vida se salva como resultado deste encontro, a colaboração entre o governo dos Estados Unidos e a Igreja nesta questão “já teria feito a diferença”.
















