Carmen Elena Villa
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Dois dias antes da celebração da Eucaristia conclusiva da 2ª Assembleia Especial para a África, do Sínodo dos Bispos, os padres sinodais fizeram um convite à comunidade internacional, para que se una ao projeto de justiça, reconciliação e paz neste continente.
Assim aconteceu hoje durante a coletiva de imprensa realizada na Santa Sé, na qual apresentaram o Nuntius ou "mensagem" da assembleia sinodal. Esta indica que o compromisso com a reconciliação na África é uma ação comum não somente da Igreja, mas também de diferentes organizações e confissões.
Na conferência, estiveram presentes Dom John Olorunfemi Onaiyekan, arcebispo de Abuja (Nigéria) e presidente da comissão para esta mensagem; Dom Youssef Ibrahim Sarraf, bispo do Cairo dos Caldeus (Egito); e Dom Francisco João Silota, bispo de Chimoio (Moçambique).
Apesar dos padres sinodais terem reconhecido o trabalho social realizado pela ONU na África, exigiram também mais transparência e coerência na hora de realizar estes programas: "Avaliai com atenção os serviços que ofereceis à nossa gente; garanti que sejam bons para nós".
Denunciaram, neste sentido, alguns projetos que as Nações Unidas lideraram e que atentam contra a dignidade da mulher e da família. Citaram o exemplo do Protocolo de Maputo, que entrou em vigor em 2005 e incentivou a aplicação dos chamados "direitos sexuais e reprodutivos" da mulher na África.
Luta contra a AIDS
Durante o sínodo, os bispos africanos agradeceram àqueles que se envolveram no "difícil apostolado", assim como a atenção médica e humanitária aos homens e mulheres contagiados pelo vírus da AIDS.
"Invocamos um apoio permanente, para que possamos cobrir as necessidades de muitos que nos pedem assistência", diz o documento.
Os prelados advertiram, como disse o Papa Bento XVI, que este problema "não pode ser superado com a distribuição de preservativos".
"Apelamos a todos os que estão sinceramente interessados em travar a transmissão da AIDS pela via sexual a que reconheçam o sucesso já alcançado pelos programas que propõem a abstinência entre os solteiros e a fidelidade nos casais", indica o documento.
Crise econômica
Frente ao tema da crise mundial, os padres sinodais fizeram uma petição à comunidade internacional, para que trate a África "com respeito e dignidade".
Asseguraram que este continente exige uma mudança na ordem econômica mundial, com relação às estruturas de injustiça que recaem muitas vezes sobre seus habitantes.
Indicaram que a recente turbulência no mundo financeiro mostra a necessidade de uma mudança radial nas regras: "Seria trágico se as correções fossem mais uma vez feitas apenas no interesse dos ricos à custa dos pobres. Muitos dos conflitos, guerras e pobreza na África derivam em grande parte destas estruturas injustas".
Afirmaram que, para isso, é necessário escutar os ensinamentos sobre o tema, que o Papa Bento XVI transmite em sua última encíclica, Caritas in veritate: "Uma nova ordem mundial justa não só é possível, mas também necessária, para o bem de toda a humanidade".
Também solicitaram um maior cuidado com relação ao meio ambiente: "As multinacionais devem parar com a devastação criminosa do ambiente na exploração insaciável dos recursos naturais".
Por último, qualificaram como "política míope" aquela que fomenta a guerra para obter os próprios benefícios, indicando o alto preço que se paga pelas vidas humanas e o grande derramamento de sangue: "Não existirá ninguém que queira e seja capaz de travar tais crimes contra a humanidade?", concluem os bispos.
















