ZP09102602 - 26-10-2009
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Primeiro cardeal de Gana e protagonista na África, presidente de “Justiça e Paz”


Peter Kodwo Appiah Turkson substitui o cardeal Renato R. Martino


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- O cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, primero purpurado da história de Gana, protagonista da vida religiosa e social na África nos últimos anos, foi nomeado por Bento XVI presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz”.

A nomeação foi anunciada pela Santa Sé nesse sábado de modo inédito, na presença do próprio arcebispo de Cape Coast e presidente da Associação das Conferências Episcopais da África Ocidental, na coletiva de imprensa de conclusão do Sínodo dos Bispos para a África.

O anúncio do padre Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, depois do meio-dia, aos jornalistas, tomou de surpresa o relator do Sínodo da África (possivelmente não sabia que a notícia seria publicada esse dia), pois durante alguns momentos ficou em silêncio, que só interrompeu para manifestar sua gratidão ao Papa.

Ele substitui o cardeal Renato R. Martino – completará 77 anos dia 23 de novembro –, que desempenhava esta missão desde o dia 1 de outubro de 2002, partilhada entre 11 de março de 2006 e 28 de fevereiro passado com a de presidente do Conselho Pontifício para o Migrantes e Itinerantes. Este purpurado, nascido em Salerno (Itália), foi durante 16 anos (1986-2002) representante de João Paulo II na sede das Nações Unidas em Nova York.

Nas três semanas que durou o Sínodo para a África, foi possível conhecer melhor o cardeal Turkson, o quarto de dez filhos, cuja mãe, metodista, converteu-se ao catolicismo ao se casar.

Ele explicou que em sua terra existe a tradição de pôr no filho o nome do dia da semana que nasceu. Por esse motivo, ele se chama “Kodwo", em seu idioma materno, pois nasceu na segunda-feira.

“Em minha família há duas “sextas-feiras” e três “domingos”, contou sorrindo na noite do dia 21 de outubro a um pequeno grupo de jornalistas com quem jantou na Casa de Santa Marta, residência onde se alojam os cardeais durante o conclave.

Na realidade, para evitar confusões, em Gana dá-se aos filhos um segundo nome. O nome do cardeal é Appiah. Peter manifesta seu batismo.

Dado que já havia rumores há meses de sua nomeação para a Cúria Romana, o purpurado africano soube “driblar” os jornalistas, mas reconheceu que quando um Papa te pede um serviço à Igreja, só vem um pensamento: “como se poderia dizer não?”

Na primeira coletiva de imprensa que concedeu ao inaugurar o Sínodo para a África, 5 de outubro, ao jornalista que lhe perguntou se era realista pensar um Papa negro, após responder "why not?" ("por que não?"), o cardeal explicou que já todo sacerdote, ao ser ordenado, dá implicitamente sua disponibilidade para ser bispo, cardeal ou inclusive Papa. “Tudo vem no mesmo pacote”, disse, tirando sorrisos dos jornalistas.

O cardeal Turkson é considerado um dos maiores biblistas da África, seguindo as pegadas do arcebispo de Kinchasa, Dom Laurent Monsengwo Pasinya.

Seus estudos de teologia, realizados na África, foram completados entre 1971 e 1975 na State University of New York em Albany, no centro franciscano de St. Anthony-on-Hudson, Rensselaer, período em que pôde conhecer profundamente a sociedade norte-americana e fazer alguns bons amigos.

Licenciou-se em Sagrada Escritura no Instituto Pontifício Bíblico de Roma (entre 1976 e 1980) e no mesmo centro fez o doutorado (entre 1987-1992).

De 1981 a 1987, foi professor de Sagrada Escritura e vice-reitor do St. Peter's Major Seminary de Gana, assim como professor na Universidade de Cape Coast, na Faculdade de Religião.

Não pôde defender sua tese doutoral, apesar de tê-la finalizado, pois, ao morrer repentinamente o arcebispo de Cape Coast, João Paulo II o nomeou para sucedê-lo, a 6 de outubro de 1992. O próprio Papa o criou cardeal a 21 de outubro de 2003.

Em Gana, o cardeal Turkson teve um papel decisivo para assegurar a paz nos últimos meses, quando nas eleições presidenciais o candidato opositor, John Evans Atta Mills, saiu vencedor com 50,23% contra Nana Akufo-Addo, que alcançou 49,77%.

“Em outro país africano com um resultado assim possivelmente teria estourado a guerra –reconheceu o cardeal. Mas em Gana, conseguiu-se dar um sentido de estabilidade democrática.”

No período pós-eleitoral foi decisivo o intenso trabalho mediador da Igreja Católica com os dois candidatos à presidência, nenhum deles católico.

Quando fala de paz, reconciliação e justiça, o cardeal Turkson reconhece que se move em casa, pois o faz inspirando-se e baseando-se na Sagrada Escritura, como especialista bíblico.

Ele o demonstrou em sua relação para o debate no Sínodo para a África (Cf. ZENIT 5 de outubro de 2009), uma prova da contribuição que oferecerá à nova missão que o Papa lhe encomendou.

(Jesús Colina)


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