ZP04071210 - 12-07-2004
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Arcebispo alerta sobre a fome no Zimbábue


E denuncia a morte por torturas no país africano


HARARE, segunda-feira, 12 de julho de 2004 (ZENIT.org).- Junto à violência política, o arcebispo de Bulawayo --segunda cidade do Zimbábue-- denunciou que as falsidades do governo do presidente Mugabe estão lançando a metade da população do país na fome.

«As mentiras do governo estão levando a fome à metade da população», afirmou dom Pius Ncube ante mais de duas mil pessoas reunidas na catedral de Bulawayo com ocasião da jornada mundial das vítimas da tortura, no domingo, 27 de junho, segundo informa a agência católica de Zimbábue «In Touch with Church & Faith».

Igualmente o prelado alertou de que «muitas pessoas neste país foram torturadas até a morte». «Como cristãos temos que opor-nos à tortura», explicou.

De fato, muitos grupos de oposição e organizações não-governamentais acusaram os partidários do presidente Robert Mugabe de recorrer à tortura contra os detratores, aponta «Fides».

O arcebispo de Bulawayo deu também a voz de alarme sobre a grave escassez alimentar que está fazendo os habitantes do país sofrer e mencionou a fome: «O povo não tem comida. Esta semana estive em Lupane, Tsholotsho, Plumtree Beitbridge, ao sul do país, e a população afirma que só terá comida até finais de agosto».

Contudo, o governo continua afirmando que se espera uma colheita de mais de 2.400.000 toneladas, suficiente, segundo autoridades, para satisfazer as necessidades da população local.

Por isso o governo afirma que não são necessárias ajudas alimentares procedentes do exterior, como as que no ano passado saciaram mais de 6 milhões de cidadãos do Zimbábue.

Mas as previsões do governo são rejeitadas pela oposição e por especialistas independentes, que temem uma catástrofe humanitária se não se aceitarem as ajudas internacionais.

De fato, confirmando o chamado do arcebispo de Bulawayo, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) alertou que este país da África Austral terá um déficit de 325.000 toneladas de cereais.

Os especialistas da FAO afirmam que a colheita de 2004 será só de um milhão de toneladas, criando assim um grave déficit alimentar.

Chuvas insuficientes, falta de sementes de qualidade e reforma agrária mal administrada estão entre as causas desta situação, segundo o organismo.

A decisão do presidente Robert Mugabe de distribuir a terra dos camponeses de origem européia a seus seguidores lançou ao caos o sistema agrário do país, um dos melhores da África até poucos anos atrás.

Ao dividir as grandes fazendas agrícolas em muitos lotes confiados a diversas famílias se passou de uma produção em grande escala a uma agricultura de subsistência que não está sendo capaz de alimentar o país.

Também são as zonas rurais as mais afetadas pela falta de alimentos. A FAO afirma que mais de 2 milhões de habitantes dos campos dependem das ajudas alimentares internacionais.

No Zimbábue mais de 5 milhões de pessoas --de uma população total de cerca de 12 milhões-- recorrem às ajudas estrangeiras para sua sobrevivência.



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