JOHANNESBURGO, sexta-feira, 20 de agosto de 2004 (ZENIT.org).- A Conferência de Bispos da África do Sul pediu que a comunidade internacional assuma uma ação mais decidida a favor de Sudão e Zimbábue.
Em particular, os bispos católicos se dirigem «à Comunidade Sul-africana de Desenvolvimento, à União Africana e às Nações Unidas» para que empreendam, se for necessário, «sanções concretas».
O comunicado foi publicado ao final da sessão plenária da Conferência de Bispos da África do Sul, em 11 de agosto.
«A situação do Zimbábue de fome e desnutrição, de violência política, intimidação e uso imoral das ajudas alimentares por parte do governo exige uma mais clara e imediata intervenção por parte do governo africano e por parte da União Africana», afirmaram os bispos.
«Com mais de três milhões de desabrigados como conseqüência da crise do Zimbábue, criou-se uma geração de exilados e refugiados. Não se pode deixar que esta situação continue. O governo de Zimbábue deve atender sua própria gente», acrescentam.
«Também, devem ser adotadas decididas medidas por parte da comunidade internacional para assegurar uma honesta eleição no Zimbábue em 2005, especialmente por meio de um segmento independente internacional e regional do processo que precede às eleições, como requisito para que a mesma eleição seja válida».
O comunicado analisa em segundo lugar a situação do Sudão, onde «milhares de cidadãos foram assassinados e mais de um milhão de pessoas foram desabrigadas na região de Darfur, e em outras partes do país, como é o caso do distrito de Malakal, que em silêncio enfrenta uma violência igualmente devastadora provocada pelas milícias apoiadas pelo governo de Cartum».
Uma investigação das Nações Unidas informou em 6 de agosto que não há dúvida de que o governo do Sudão é «responsável» pelo que sucedeu em Darfur. «Nós mesmos fomos pessoalmente testemunhas de algumas destas atrocidades em nossas visitas ao Sudão», asseguram os prelados.
«Por este motivo, a União Africana deve assumir uma ação particular contra o governo do Sudão e excluí-lo de todos seus órgãos, como a Comissão de Direitos Humanos. Também, deve pressionar o governo do Sudão para que aplique as disposições da União Africana sobre bom governo e promoção dos direitos humanos».
Ao concluir os bispos constatam: «Com o aumento da guerra contra o terrorismo, dá-se uma contínua erosão de uma cultura de direitos humanos no mundo de hoje».
«Pedimos a todos os membros da Igreja e a todas as pessoas de boa vontade --exortam os prelados-- que trabalhem juntos para acabar com as guerras e as divisões, pedimos que promovam a reconciliação, que exortem aos líderes políticos a um governo transparente e responsável e que construam comunidades e nações nas quais o povo possa viver com dignidade e experimente uma adequada qualidade de vida».
Os bispos confirmaram seu compromisso para manter contatos com líderes eclesiais e políticos de Zimbábue, Sudão e outros países da África para promover um final duradouro dos conflitos africanos.
Com este objetivo, a Conferência estabeleceu um instituto de solidariedade e paz internacional.
ZP04082004 - 20-08-2004
Permalink: http://www.zenit.org/article-4953?l=portuguese
Bispos da África do Sul pedem maior compromisso em favor de Sudão e Zimbábue
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