MOUNDOU, 11 de junho de 2003 (ZENIT.org-Fides).- A direção da Rádio Duji Lokar de Moundou – no sul do Chad – denunciou a dramática situação de 22.000 refugiados centro africanos que na fronteira de ambos países correm o risco de morrer de fome.
O elevado número de desabrigados --entre os que deve-se incluir muitas crianças abandonadas-- que chegaram à zona entre dezembro de 2002 e abril deste ano, fogem dos combates na República Centro Africana entre as tropas do atual presidente, o general François Bozizé, e as dos fiéis ao ex-presidente Ange-Félix Patassé.
Os refugiados centro africanos foram distribuídos em diversas localidades. Em Goré estima-se que haja mais de 10.000 pessoas acolhidas em dois campos e em diversas famílias da zona.
Os outros 12.000 estão repartidos entre as localidades de Yanmodo, Matiti e Koumba, onde vivem sob as árvores e em tendas provisórias.
As condições de vida dos refugiados são muito precárias. Carecem de água potável e se vêem obrigados a beber água contaminada recolhida a vários quilômetros de distância.
A alimentação também se converteu em um grave problema porque até o momento somente receberam duas rações: a primeira, três quilos de sorgo por família; a segunda, no mês de abril, um saco de cem quilos de farinha por cada trinta pessoas. Desde então, começaram a morrer lentamente de fome.
Os refugiados, enfermos e débeis, não têm capacidade para realizar trabalho algum. Também, as relações com os habitantes do lugar são tensas visto que se trata de uma região privada de infra-estruturas e surge a competição pelos escassos recursos disponíveis.
A situação dos refugiados poderia ser agravadas com a chegada da estação das chuvas e o perigo de epidemias como a cólera.
Segundo a Rádio Duji Lokar de Moundou, até o momento os chamados à comunidade internacional para que intervenham não foram atendidos de maneira apreciável.
Somente no final de junho estará preparado um campo com capacidade para 20.000 pessoas, a 6 quilômetros de Groé. O campo terá uma dispensa e um armazém de alimentos.
É urgente que as ajudas alimentícias cheguem o quanto antes possível, visto que com a chegada das chuvas as estradas serão intransitáveis e numerosas localidades ficarão incomunicáveis.
ZP03061105 - 11-06-2003
Permalink: http://www.zenit.org/article-708?l=portuguese
Desesperada situação de 20.000 refugiados centro africanos na fronteira do Chad
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