21 entrevistas para falar sobre João Paulo II

O Papa emérito Bento XVI, cinco cardeais, vários bispos , três secretários , um fotógrafo, um policial, um médico, um postulador, duas pessoas curadas milagrosamente falam sobre a santidade de Karol Wojtyla

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 425 visitas

Entrevistar personalidades é um gênero literário de grande atualidade. Mas Włodzimierz Redzioch, um engenheiro dedicado à Igreja, jornalista e escritor, não ficou satisfeito. Então, para falar sobre a santidade do Papa João Paulo II escreveu um livro com 21 entrevistas. Editado por ARES (Itália ndt), o título é “Accanto a Giovanni Paolo II – Gli amici e i collaboratori raccontano” (Junto a João Paulo II – Os amigos e os colaboradores falam).

O começo do livro é brilhante: abre-se, de fato, com a entrevista exclusiva com o Papa emérito Bento XVI. A isto seguem-se as entrevistas aos amigos de sempre que conviveram com Wojtyla em Cracóvia: o prof. Stanislaw Grygiel, a doutora sobrevivente dos campos de concentração nazistas Wanda Poltawska, o cardeal Stanisław Kazimierz Nagy. Depois os secretários do Papa, o cardeal Stanislaw Dziwisz, monsenhor Mieczyslaw Mokrzycki , atual arcebispo de Leopoli, e Monsenhor Emery Kabongo Kanundowi. Presentes também as entrevistas aos colaboradores na diocese de Roma e no Vaticano: os cardeais Camillo Ruini, Angelo Sodano, Tarcisio Bertone; depois mons. Pawel Ptasznik , e Joaquín Navarro- Valls , diretor da Sala de Imprensa do Vaticano.

O autor também recolheu as declarações de amigos e colaboradores do Papa, como mons. Javier Echevarría, atual prelado do Opus Dei, o fiel fotógrafo Arturo Mari, o jornalista e escritor Gian Franco Svidercoschi, o gendarme Egildo Biocca, organizador dos passeios do Papa, o médico que sempre o visitou e curou, o dr. Renato Buzzonetti. E ainda as pessoas que por várias razões foram envolvidas nos processos de beatificação e canonização, como o postulador mons. Slawomir Oder, o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, e, finalmente, os dois que foram curados milagrosamente: Irmã Marie Simon -Pierre Normand e Florybeth Mora Diaz.

Para muitos parece que já se conhece quase tudo da vida de João Paulo II; destas 21 entrevistas do livro, surgem histórias, anedotas, detalhes inéditos do homem Karol Wojtyla.

Por exemplo, narra o autor:

"No dia 28 de setembro de 1978 Dom Stanislaw Dziwisz acompanhou o Cardeal na Catedral de Wawel (o castelo do rei da Polónia), a mesma catedral onde 20 anos antes Karol Wojtyla tinha sido consagrado bispo no dia da festa de São Venceslau (Waclaw em polonês). No dia seguinte, Dom Stanislaw e Wojtyla estavam tomando café da manhã quando chegou o motorista da Curia, Jozef Mucha, que disse bem baixinho: “João Paulo I morreu". Wojtyła ficou horrorizado e murmurou: "É uma coisa inédita, inédita..." , em seguida, retirou-se para o seu quarto.

Logo depois, Don Stanislaw viu Wojtyla ir para a capela, onde permaneceu por um longo tempo. Don Stanislaw recorda bem as palavras do cardeal pronunciadas durante a homilia da Missa pelo Papa falecido, que mostravam bem o seu estado de espírito: “Todo o mundo, toda a Igreja se coloca a pergunta: ‘Por quê?' (...) Não sabemos qual é o significado desta morte para a Sé Apostólica. Não sabemos o que Cristo queria dizer para a Igreja e para o mundo através desta morte".

Para Don Stanislaw a morte do Papa significava que precisava preparar as malas e organizar a viagem para Roma. Parecia que se repetia o cenário depois da morte de Paulo VI. Karol Wojtyla desta vez estava mais pensativo, embora não expressasse os seus sentimentos. Para um casal de amigos, antes da partida, sussurrou sem acrescentar mais: “Esperava ter mais tempo”.

O resto é história.

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O autor

Włodzimierz Redzioch nasceu em 1º de Setembro de 1951, em Czestochowa (Polónia). Graduado em engenharia pela Universidade Técnica de Czestochowa, continuou seus estudos na Universidade de Varsóvia, no Instituto de Estudos Africanos ( dois anos de estudos de pós-graduação) .

Em 1980 trabalhou no Centro de Peregrinos Poloneses em Roma. Naquela época, ele preparou os guias de Roma e da Terra Santa no idioma polonês.

De 1981 ao 2012 trabalhou no L'Osservatore Romano.

É autor dos livros: "La Tomba di San Pietro” (Editora Calvarianum, 1989), "I Giardini del Vaticano e Castel Gandolfo” (Sport e Turystyka, 1990), "La Basilica di San Pietro” (Pallotinum II, 1991 ), "Il Pallazzo Apostolico (Pallotyński Sekretariat Misyjny, 1993 r.).

É também o autor das guias dos santuários marianos: “Lourdes” ( Pallotinum II , 1992), e "Fatima e i dintorni” (Pallotinum II , 1993) , ambos com a introdução do cardeal Andrzej Maria Deskur .

Na Polónia, foi o promotor da peregrinação a Santiago de Compostela e autor do guia: "Santiago de Compostela - a peregrinação ao túmulo de São Tiago" (Pallotyński Sekretariat Misyjny, 1997 r.) E do álbum "A peregrinação. Santiago de Compostela" ( Bialy Kruk Publishing House , 1999).

É co-autor do livro sobre a Jornada de oração em Assis: "Assisi. Incontro delle religione del mondo” (Calvarianum , 1990) e do álbum de Grzegorz Gałązka: "Cardeais do Terceiro Milênio" (Livraria Editora Vaticana, 1996).

Desde 1995 colabora com o mais popular semanário católico polonês "Niedzela", com a revista mensal americana de inspiração católica "Inside the Vatican" e com a agência de notícias "Zenit". No dia 23 de setembro de 2000, recebeu na Polônia o prêmio católico pelo jornalismo “Mater Verbi”.

No dia 14 de julho de 2006, Sua Santidade Bento XVI conferiu-lhe o título de Comendador da Ordem de São Silvestre Papa.

(Trad.TS)