52ª Assembleia Geral: núncio apostólico no Brasil aponta caminhos para missão episcopal

Dom Giovanni DAniello ressalta pedido do Papa para que bispos não sejam gestores, mas pastores e missionários

Brasília, (Zenit.org) Lilian da Paz | 451 visitas

O núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello, presidiu a celebração eucarística desta sexta-feira (30), na 52ª Assembleia Geral dos Bispos, realizada na cidade de Aparecida (SP). Mais de 350 bispos estão inscritos para a discussão do tema central Comunidade de comunidades: uma nova paróquia, que retoma as discussões da Assembleia de 2013.

Na homilia, o núncio aprofundou a reflexão do Evangelho do dia – sobre a multiplicação dos pães – convidando os bispos ali presentes para uma aproximação aos fiéis. Recordando as palavras do Papa Francisco, enfatizou: “Precisamos multiplicar a caridade indo às periferias, onde há sofrimento e sangue derramado. Quem não sai de si mesmo se torna apenas um gestor, sejamos pastores com cheiro das ovelhas”.

O representante da Santa Sé no Brasil terminou a reflexão apontando para as necessidades daqueles que passam por problemas sociais. “Nós abaixamos nossos olhos somente para nossas necessidades, mas temos que olhar para aqueles que sofrem e têm fome. O nosso cansaço cotidiano deve ser oferta ao amor de Deus, assim nossa pequena obra é multiplicada”, finalizou.

Reforma política e questão agrária

Logo após a celebração os bispos se dirigiram para um encontro particular com dom Giovanni. No fim da manhã, todos seguem para o plenário da Assembleia para dar continuidade aos trabalhos iniciados na última quarta-feira (30). Nesta quinta-feira, 1º de maio, foi apresentado um balanço sobre dois assuntos na pauta da Assembleia: reforma política e um estudo sobre a questão agrária.

Segundo dom Dimas Lara Barbosa, porta voz da Assembleia, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil deverá divulgar uma mensagem sobre as eleições que serão realizadas em outubro deste ano. A Conferência também acompanha as atividades da Coalizão Democrática, grupo formado por 95 entidades, juntamente com os bispos do Brasil, que defende as seguintes propostas de reforma política:

- Proibição de doações de recursos financeiros de empresas para financiar campanhas eleitorais;

- Mudança no sistema de votação, sendo feito em dois turnos. No primeiro turno o eleitor votaria em um programa, em ideias e, no segundo, escolheria as pessoas que irão colocar em prática;

- Equiparação entre o número de homens e mulheres no meio político, sendo que, para cada candidato homem, teria uma mulher;

- Regulamentação do artigo 14 da Constituição de 1988, que trata dos instrumentos de participação popular.  

Já sobre a questão agrária, a Assembleia discute a elaboração de um documento sobre o assunto, em prol da evangelização social neste meio. Há 34 anos a Igreja no Brasil não aprofunda algo neste sentido. Dom Itamar Vian, arcebispo de Feira de Santana (BA) está dirigindo um grupo de trabalho que avalia um texto sobre a questão no país. 

Com informações da CNBB