6ª Marcha Nacional da Cidadania Pela Vida

Entrevista à presidente Nacional, Drª Lenise Garcia

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 837 visitas

Uma grande Marcha Nacional da Cidadania pela Vida vai acontecer na Capital do Brasil no próximo dia 4 de Junho, com o tema “Quero Viver! Você me ajuda?”.

A 6ª Marcha Nacional da Cidadania Pela Vida é organizada pelo Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto –  movimento “supra-partidário e supra-religioso”, disse em entrevista à ZENIT a Dra. Lenise Garcia, presidente do Movimento. O objetivo dessa atividade é chamar a atenção para posições contrárias em andamento no Congresso Nacional, como por exemplo, o Projeto de Lei nº 236/2012 que propõe a legalização do aborto até a 12ª Semana de Gestação e o Projeto de Lei nº 478/2007 (Estatuto do Nascituro) que defende os direitos da criança por nascer, à semelhança do que determinam o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso e o projeto do Estatuto da Juventude. 

A concentração se fará no dia 4 de junho às 15h no gramado, atrás da Torre de TV, na cidade de Brasília. Outras informações no site: www.brasilsemaborto.com.br

Publicamos a seguir a entrevista que a presidente do Movimento Nacional da Cidadania Pela Vida – Brasil Sem Aborto, Lenise Garcia, concedeu à ZENIT.

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Zenit -  Por que uma sexta Marcha pela Vida? Quais são os temas a serem exigidos nesse ano?

Lenise Garcia: As marchas têm um motivo de fundo, que é a promoção e defesa da vida desde a concepção, tendo em conta as pressões que ocorrem em todo o mundo, e também no Brasil, para que se desrespeite a vida em seu início. Por isso pretendemos manter uma manifestação anual, no início de junho. Naturalmente, a cada vez há temas que estão mais candentes. Neste ano, destacamos a reforma do Código Penal, que tramita no Senado com uma proposta que abre amplas possibilidades para o aborto. Além disso, queremos a aprovação do Estatuto do Nascituro, que tramita na Câmara. Há outros projetos de nosso interesse, mas que não se encontram de momento no foco dos parlamentares. 

 Zenit -  Essas marchas ajudam realmente na mudança da cultura da morte para uma cultura da vida?

Lenise Garcia: Diz a experiência que sim. Por exemplo, nos Estados Unidos já são 40 anos de manifestações populares, cada vez maiores, e a percepção da população em relação ao aborto tem mudado bastante. Apesar de o aborto ser permitido lá em praticamente qualquer caso, alguns Estados estão fazendo leis mais restritivas, e atualmente a maior parte da população é pró-vida. Os primeiros a se conscientizarem mais para a importância do tema são os próprios participantes, e depois aqueles que presenciam ou recebem informações sobre a marcha.  

Zenit -  Sabemos que essas decisões tramitam mais no governo, no Senado, no Congresso... então, por que uma mobilização popular? 

Lenise Garcia: Os parlamentares, deputados e senadores, são nossos representantes, e naturalmente bastante sensíveis às manifestações do eleitor. Além disso, embora a legalização do aborto dependa do Congresso, a decisão de fazer um aborto é algo individual. Já tivemos depoimentos de várias mães ou pais que desistiram de um aborto ao ver o nosso material de divulgação da marcha e refletir melhor a respeito.  

Zenit - Com qual espírito as pessoas deveriam unir-se a esse projeto?

Lenise Garcia: Com vontade de exercer a sua cidadania, saindo da acomodação de quem pensa que já há "alguém" cuidando da preservação dos valores da cultura da vida. É importante que todos nos posicionemos. Também com espírito pacífico. Não buscamos o confronto com quem discorda de nós, mas mostrar a beleza da vida, que por si mesma conquista o apoio de quem compreende toda a sua dignidade.  

Zenit -  Qual é o principal grupo no Brasil de hoje, que luta no movimento Brasil sem Aborto, em prol da Vida?

Lenise Garcia: Há muitos grupos. O Movimento Brasil sem Aborto procura justamente articular todos os que queiram unir-se nesse ideal. Há um grande pluralismo, em uma perspectiva supra-partidária e supra-religiosa.  

Zenit -  O Estatuto do Nascituro, se aprovado, poderá realmente freiar a implantação do aborto no Brasil? Por quê? Ouvem-se certas críticas ao texto atual do Estatuto. Onde pode-se encontrar uma resposta?

Lenise Garcia: O PL 478/2007 (Estatuto do Nascituro) explicita uma série de direitos da criança ainda não nascida. Traz também propostas de soluções concretas para casos específicos. Vou dar um exemplo, com o caso da criança que seja fruto de um estupro. Claro que uma violação é um ato horrível, mas a mulher estuprada não é o estupro, e a criança eventualmente gerada também não pode ser identificada com o estupro, como se fosse tão horrível quanto este. Por questões jurídicas e de tramitação, o substitutivo do PL 478/2007 não toca no aspecto penal, e não modifica as regras atuais que isentam de punição os envolvidos em um aborto em caso de estupro. Alguns não se conformam com essa ausência, como se significasse uma concessão. Entretanto, ao destacar o valor intrínseco da vida, e ao trazer mecanismos de auxílio à mulher que passa por essa situação de uma gravidez decorrente de estupro, o Estatuto do Nascituro favorece que não se veja o aborto como a principal alternativa de solução para essa situação tão dramática, mesmo porque o aborto nunca é de fato solução. Melhor do que a punição dos culpados é conseguir que não haja culpa, porque o aborto não se realiza. O foco é mais preventivo do que punitivo. São aspectos que se complementam, mas não precisam estar necessariamente na mesma lei. Para quem quiser mais informações e reflexões, temos regularmente atualizado sobre o conteúdo e a tramitação do PL 478/2007 no site do Brasil sem Aborto www.brasilsemaborto.com.br 

Zenit - Na sua opinião, como é que o Movimento Pro Vida no Brasil poderia unificar mais as forças nas estratégias de trabalho?

Lenise Garcia: É necessário sempre muito diálogo, e a compreensão de que não precisamos pensar igualmente em todos os aspectos.   É natural que haja divergências quanto ao que se considera a melhor estratégia, mas não se pode impor o próprio ponto de vista como se fosse o único modo de abordar o assunto. Como comentei, o Brasil sem Aborto é supra-partidário e supra-religioso, e isso naturalmente implica um grande pluralismo interno. Também por isso focamos na promoção e defesa da vida desde a concepção, não abarcando outras pautas, em si importantes, mas que podem fugir ao consenso. Unidade não é uniformidade, e nem sempre a divergência é problema. Pelo contrário, penso que a divergência em pontos não essenciais é fundamental para o amadurecimento democrático. O pluralismo é também manifestação da riqueza e beleza da vida.