A alegria da fé de quem encontra Jesus

Missa matutina em Santa Marta: papa Francisco agradece à equipe de Segurança Pública do Vaticano pelos serviços prestados

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 890 visitas

Uma pessoa real, não um “deus-spray”: esta foi a singular metáfora usada pelo papa Francisco para descrever a natureza humana e divina de Jesus Cristo na homilia da missa de ontem, na Casa Santa Marta. Participaram da celebração os funcionários da Segurança Pública da Cidade do Vaticano.

Deus é uma pessoa concreta, explicou o pontífice. Ele é Pai, e por isso a fé nasce do encontro concreto com Ele, na experiência da filiação.

No evangelho (Jo 6, 44-51), Jesus diz à multidão: “Quem crê tem palavras de vida eterna”. O ato de crer, porém, não é suficiente, e aquilo em que muitos creem pode não ser o Deus cristão. É fácil topar com pessoas que dizem acreditar em Deus, tendo dele uma ideia extremamente aproximativa, sem, porém, saber descrever a sua identidade. “Um ‘deus difuso’, um ‘deus-spray’, que está um pouco por toda parte, mas não se sabe o que é”, disse o santo padre em referência à confusão doutrinal que aflige tantos crentes, cristãos inclusive.

“Nós acreditamos no Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Nós acreditamos em Pessoas, e, quando falamos com Deus, falamos com Pessoas: ou eu falo com o Pai, ou com o Filho, ou com o Espírito Santo. Esta é a fé”.

Quando Jesus afirma que ninguém pode chegar até ele “a não ser que o Pai o atraia”, fica claro que “ir até Jesus, encontrar Jesus, conhecer Jesus, é um presente”, acrescentou o papa.

Foi o que aconteceu com o funcionário da rainha da Etiópia, protagonista da primeira leitura (At 8, 26-40): por mais apegado ao dinheiro que ele pudesse parecer, ao ouvir Felipe falar de Jesus ele intuiu a “boa nova”, sentindo “alegria” e desejo de se batizar imediatamente.

“Quem tem a fé, tem a vida eterna”, prosseguiu Francisco. “Mas a fé é um dom, é o Pai quem a dá. Nós temos que prosseguir neste caminho”, durante o qual poderá nos acontecer o que aconteceu ao funcionário etíope, que se converteu, e, “cheio de alegria”, seguiu a sua estrada tendo entendido o Antigo Testamento à luz da ressurreição, graças a Felipe.

A “alegria da fé”, portanto, é aquela de quem encontra Jesus, a alegria que dá paz, não como a dá o mundo, mas como a dá Ele. “Peçamos ao Senhor que nos faça crescer nesta fé, nesta fé que nos torna fortes, alegres, essa fé que começa sempre no encontro com Jesus e que continua sempre na vida com os pequenos encontros diários com Jesus”, concluiu o santo padre.

No final da missa, o papa Francisco cumprimentou e agradeceu à equipe da Segurança Pública do Vaticano pelos serviços desenvolvidos “em prol do bem comum, da paz comum”, que aspira à “retidão da mente”, ao “vigor do querer”, à “honestidade” e à “serenidade”.