A alegria de Maria no pontificado de Francisco

Reflexões sobre o caminho de discipulado do Papa

Fortaleza, (Zenit.org) Emanuele Sales | 480 visitas

Diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida, o Papa Francisco apresentou três posturas para que haja aos jovens a transmissão de valores de um mundo mais justo, solidário e fraterno: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria. Hoje, exatamente um ano após o fim do conclave que o elegeu, vê-se que sua escolha em um dia 13, data dedicada à Mãe de Jesus, não é mera coincidência. O Papa “das surpresas” tem apontado ao mundo o caminho da esperança e do testemunho do Evangelho de Jesus Cristo, que passa necessariamente pela alegria de Maria.

Em Aparecida, no Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude, quando elencou tais atitudes, Francisco já sintetizava muito de sua mensagem em um ano de pontificado. Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, ele a confirmou:

“A memória do povo fiel, como a de Maria, deve ficar transbordante das maravilhas de Deus. O seu coração, esperançado na prática alegre e possível do amor que lhe foi anunciado, sente que toda a palavra na Escritura, antes de ser exigência, é dom”.

Aqui há um ponto essencial de seus ensinamentos: a Palavra de Deus, a intimidade com Ele, a misericórdia são graças constantes, dons gratuitos e acessíveis a todos os homens. E quando cita a memória de Maria, remete ao cântico do Magnificat, ação de graças por excelência e impossível de existir se não houver júbilo autêntico. Francisco nos faz retornar, assim, ao trinômio “esperança, surpresa, alegria”.

O caminho de discipulado de Francisco parece ser também o de Maria: humildade e escuta. É ainda o caminho no qual ele tem conduzido a Igreja. “Viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria”, afirmou em Aparecida.

Ao fazer uma inesperada saudação aos avós, em 26 de julho de 2013, ele convidou os fieis a rezarem a Nossa Senhora, para que “guarde nossas famílias, faça delas lares de fé e de amor, onde se sinta a presença do seu filho Jesus”.

Para o Papa, Nossa Senhora não é somente devoção, mas inspiração de seu serviço à Igreja. Essa observação é confirmada em pequenos atos de entrega à Virgem, desde aquele realizado na basílica de Santa Maria Maior na manhã seguinte à sua eleição, ao Ângelus rezado em cada domingo. Francisco confia não somente os jovens ou as famílias, mas todo o ministério petrino e a humanidade à materna intercessão da Senhora da Alegria e Porta do Céu:

“Assim, ó Mãe, como Vós, eu abraço minha missão. Em vossas mãos coloco minha vida e vamos Vós-Mãe e Eu-Filho caminhar juntos, crer juntos, lutar juntos, vencer juntos como sempre juntos caminhastes vosso Filho e Vós”. Assim seja.