A Assunção é uma realidade que atinge também a nós

As palavras de Bento XVI ao recitar o Angelus na Solenidade da Assunção De Nossa Senhora

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CASTEL GANDOLFO, quinta-feira, 16 de março de 2012(ZENIT.org) – Apresentamos as palavras de Bento XVI dirigidas aos fiéis e peregrinos reunidos em Castel Gandolfo, na quarta-feira (15), para a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.

Queridos irmãos e irmãs,

Em meados de agosto a Igreja no Oriente e no Ocidente celebra a Solenidade da Assunção de Maria ao céu. Na Igreja Católica, o dogma da Assunção - como sabemos - foi proclamado durante o Ano Santo em 1950 pelo Venerável Papa Pio XII. A celebração, no entanto,deste mistério de Maria, tem suas raízes na fé e na adoração dos primeiros séculos da Igreja, pela profunda devoção à Mãe de Deus que foi sendo desenvolvida gradualmente na comunidade cristã.

Já no final do século IV e início do V, temos provas de vários autores que afirmam que Maria está na glória de Deus com todo seu ser, alma e corpo, mas é no século VI, que em Jerusalém, a festa da Mãe de Deus, a Theotokos, consolidada pelo Concílio de Éfeso em 431, mudou de face e se tornou a festa da dormição, da passagem, do trânsito, da assunção de Maria, tornou-se a celebração do momento em que Maria saiu deste mundo glorificada em corpo e alma no céu, em Deus

Para compreender a Assunção, devemos olhar para a Páscoa, o grande mistério da nossa salvação, que marca a passagem de Jesus para a glória do Pai através da paixão, morte e ressurreição. Maria, que gerou o Filho de Deus na carne, é a criatura mais inserida neste mistério, resgatada desde o primeiro momento de sua vida, e associada de forma especial na paixão e glória do seu Filho. A Assunção de Maria ao céu é assim o mistério pascal de Cristo plenamente realizado nela. Ela está intimamente unida ao seu Filho ressuscitado, vitorioso sobre o pecado e a morte, plenamente configurada a Ele. Mas a Assunção é uma realidade que atinge também a nós, porque nos mostra de modo iluminado o nosso destino, da humanidade e da história. Em Maria, contemplamos a realidade da glória a que somos chamados cada um de nós e toda a Igreja.

O Evangelho de Lucas que lemos na liturgia desta Solenidade nos mostra o caminho que a Virgem de Nazaré percorreu para estar na glória de Deus. É a narração (cf. Lc 1,39 - 56), na qual Maria é proclamada bendita entre as mulheres e bem-aventurada porque acreditou no cumprimento das palavras que foram ditas pelo Senhor. E no canto do "Magnificat", que eleva com a alegria a Deus, transparece sua fé profunda. Ela se coloca entre os "pobres" e "humildes", que não confiam em suas próprias forças, mas confiam em Deus, que abrem espaço para a sua ação, capaz de fazer grandes coisas na fraqueza. Se a Assunção nos abre para o futuro brilhante que nos espera, também nos convida a confiar mais fortemente em Deus, a seguir sua Palavra, a procurar fazer sua vontade todos os dias: este é o caminho que nos torna "benditos" em nossa peregrinação terrena, e abre as portas do Céu.

 Queridos irmãos e irmãs, o Concílio Vaticano II afirma: Maria assunta ao céu “com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada”. (Lumen Gentium, 62). Invoquemos a Virgem Santíssima, seja a estrela que guia nossos passos ao encontro com seu Filho em nosso caminho para chegar à glória do Céu, à alegria eterna.

 (Após o Angelus)

 Saúdo cordialmente os fiéis brasileiros de Umuarama e Paranavaí e demais peregrinos de língua portuguesa, sobre cujos passos e compromissos cristãos imploro, pela intercessão da Virgem Mãe, as maiores bênçãos divinas. Deixai Cristo tomar posse da vossa vida, para serdes cada vez mais vida e presença de Cristo! Ide com Deus.

(Tradução: MEM)