A beleza educará o mundo": o livro inédito do papa Francisco

Lançada a recopilação dos textos do então cardeal Bergoglio sobre a educação (2008-2011)

Roma, (Zenit.org) | 523 visitas

Um verdadeiro "manual sobre como educar": o livro de Jorge Mario Bergoglio, “A beleza educará o mundo”, chega às livrarias italianas neste dia do primeiro aniversário da eleição do cardeal de Buenos Aires ao papado. O texto é inédito em italiano.

Com linguagem muito coloquial e rica em referências intelectuais (Homero, a bíblia, a história da Argentina, o saber pedagógico), o agora papa Francisco insiste na necessidade, totalmente "laica", de "educar na e para a esperança". "Educar é, em si, um ato de esperança, não só porque se educa para construir um futuro, apostando em um futuro, mas principalmente porque o próprio ato de educar é repleto de esperança. Caros educadores, desejo que a inquietação, imagem do desejo que move toda a existência do homem, abra o seu coração e os dirija para a esperança que nunca trai".

Bergoglio convida todos os educadores a não suprimir o desejo nos próprios educandos com métodos de ensino rígidos demais: "A disciplina é um meio necessário, mas não pode se transformar em mutilação do desejo. Este é a presença de um bem positivo que sempre cresce, que se estrutura e que se põe em movimento rumo a um ‘mais’. O desejo da verdade é o que procede, ‘de encontro a encontro’; a disciplina não deve cortar as asas da imaginação, da saudável fantasia e da criatividade".

Nos textos, escritos entre 2008 e 2011, o futuro papa convida o educador a evitar a armadilha do fundamentalismo: "A posse da verdade de tipo fundamentalista carece de humildade: ela tenta se impor aos outros com um gesto que, em si mesmo e por si, é autodefensivo. A verdade não se tem, não se possui: a verdade se encontra".

Eis, portanto, a prática essencial em todo gesto educativo: o diálogo, que é oposto a todo fundamentalismo: "Os fundamentalismos são sistemas de pensamento e de conduta absolutamente embalsamadores, que servem como refúgio. O fundamentalismo se organiza a partir da rigidez de um pensamento único. Não admite matizes nem repensamentos, simplesmente porque tem medo: em concreto, ele tem medo da verdade".

O que deve ser praticado, em vez disso, é "o diálogo, que não significa relativismo, mas ‘logos’ que se compartilha, razão que se oferece no amor, para construir uma realidade cada vez mais libertadora. A escuta atenta, o silêncio respeitoso, a empatia sincera, o autêntico pôr-se à disposição do estranho e do outro são virtudes essenciais a cultivar e transmitir no mundo de hoje".

O texto conta com posfácio de Vittorino Andreoli, um dos mais reconhecidos psiquiatras da Itália.